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Quarta-feira, Março 30, 2005 Ela está do lado de fora pensando em como pular atravéz do espelho e em outro mundo mergulhar. Ela não percebe ainda que já está imersa em outra realidade. Voou, sem ao menos perceber, para uma dimensão distante, em seu próprio Eu. Nele percorre por vales e mares que julga desconhecidos, com uma sensção de dèjá vu, que nunca sentiu. Imagina que tudo é novo, desperto e distante de si. No entanto, ali tudo é antigo, tudo é certo, pois já foi... Ela não se sente feliz, não consegue enxergar as cores que sempre quis, tudo tem um ar opaco e um leve cheiro de mofo, como a Europa antiga... Pensa em voltar, mas já não sabe qual o caminho de volta. Seu fio se emaranhou às folhas e galhos secos do último inverno. Ela se senta e chora, se desespera, pois quer retornar à sua velha casa de paredes descascadas, onde cada reboco fala mais um pouco sobre si mesma. Ela não entende como foi e porque quis tanto sonhar com algo diferente. Num soluço desperta a consciência que, ao seu lado, se põe a falar sobre suas experiências do lado de cá. Ela diz que não a entende, nunca conseguiu pensar muito. Mas ela mente! É o que lhe responde sua consciência, pois ela sempre pensa, e se prende em pensamentos que não entende, por pensá-los sempre com a maior porção da emoção. Na vã passagem do tempo, nesse recinto seco e de um frio morno, ela se dá conta, que tudo não existe... Tudo é uma ilusão! A consciência lhe sorri de forma cúmplice e beijando-lhe a testa se vai, de volta para seu lugar de origem... E ela retorna a si... Ciente de que toda viagem a trará sempre de volta, por mais q ela se perca, pois sempre estará em si mesma... Estou retornando.... Patrícia Gomes - ao som de Tori Amos.... :::Desabafado
às 13:00 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Março 28, 2005 Sou as palavras de amor que em sutil displicência você não disse. Sou o morango não provado, que acentuaria o gosto do teu champagne. Sou o beijo suave que teus lábios chegaram a provar, mas que deixou passar por medo. Sou o suor que não escorreu pela tua pele na hora do amor que chegou tarde demais. Sou o sorriso que não brilhou em teus olhos por não me ver dormindo totalmente entregue ao teu lado. Sou a palavra que sussurra em teus ouvidos surdos. Sou a boca que bebe a madrugada tentando sorver o teu sabor perdido em cada estrela que cai. Sou a ingênua que busca a paz na insanidade de seus cabelos castanhos. Sou a louca que brinca com quimeras que eu mesmo invento tentando fazer delas uma doce realidade... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 17:09 por Anna Karenina (Patuska).
Viajei em inúmeras melodias... Me embriaguei, ao menos era o que eu queria, no gosto ocre da vodca com coca... Será que não teria sido melhor só a folha de coca em um chá quente? Quem sabe até me perder no escândalo azedo do limão, no gelado escaldante do gelo a derreter-me num copo fino e longo do mais fino cristal antigo... Haveria ainda ali, incrustado no bordado do copo, o desejo de ser feliz? Quantos eu quis? Com quantos me deitei? Por infinitos que tenham sido sempre foram insuficientes... Assim percebi porque nenhum ficou comigo além da noite de seresta que quase sonhei... Nunca dancei a valsa falsa do desengano do falso baile... Em mais um gole a vodca me chama... Me toco na mais estranha das fantasias: A de estar numa realidade finita! Quero a companhia de um sorriso tímido, casto... Quero a sensação de desvirtuação para em seguida ser a benfeitora... Ser a que salva após o logo período de afogamento. Mas quem será tão mais insano a ponto de, em mim, querer mergulhar? Será que é uma capacidade feminina essa de se entregar plenamente ao mergulho, mesmo que seja no raso? Será que é tão errado usar anéis irreais?... Ou colocarmos máscaras, mesmo que não sejam de Veneza?... Assustar-se é fato, dizer não, não! Seria tão louco querer quem chega do nada e que me trouxesse flores?... Que em meu coração muitas vezes me dissesse sim?! Querer ser o céu de estrela noturna e brilhante é tão perfeito que não me atrevo a ascender-me... Perco a hora, destranco a porta e deixo a febre me suar... Me rendo ao desejo de desejar receber o amor que me queima a cútis curtida do sol dos medos reais... dos enganos mortais e da esperança voraz... By Me... :::Desabafado
às 02:14 por Anna Karenina (Patuska).
Domingo, Março 27, 2005
Corro louca por entre flores de plásticos num campo aberto. Sinto cheiro de chuva que cada pétala plástica exala... Me embriago com a chuva que desaba e bebo a noite quente, sentindo as estrelas voltearem em mim como borboletas. Amanheço em frente ao penhasco... Vejo teus sorrisos lá embaixo e entre meus olhos mergulho! Mergulho além... Mergulho no espaço dos teus sonhos querendo chegar à realidade dos meus..... By Me... :::Desabafado
às 03:19 por Anna Karenina (Patuska).
Quinta-feira, Março 24, 2005
Há algo de novo, Num ponto novo do meu novo corpo... Há sentimento novo No novo coração que não sei, de novo, de onde surgiu... Há sempre algo novo nos olhos que revejo e já não sei se são tão novos os olhares que devolvo.... By Me... :::Desabafado
às 00:36 por Anna Karenina (Patuska).
Terça-feira, Março 22, 2005 O que passa pela cabeça dela às tantas da madrugada, quando ouve Piazzola??? O que ela sente escorrer na pele, quando a melodia do tango baila por sobre sua pele adamascada? Sente o desejo leitoso dos olhares de ébano a percorrer sua silhueta. As mãos de ébano acariciando cada uma de suas curvas, em contraste com sua alvura de neve... O bailar das línguas num ritmo suave, mas denso, quente, como o tango que os envolve na madrugada que corre leitosa, sem presa, pois se rendeu ao desejo urgente de ambos. A voz sensual de Astor a propiciar uma dupla excitação nela... Tudo a deixa atenta aos dois que a tocam.... Um com o olhar e as mãos, que a tocam suavemente e o outro com sua voz, a confundí-la docemente... Se entrega ao bailado sensual... e nesse ritmo explode em gozo duplo... que vai além do carnal... :::Desabafado
às 00:33 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Março 21, 2005 No meu corpo te faço brasa, me inflamo na chama que é nosso desejo. E para consumar os desejos nossa pira incendeia lançando fagulas de gozo ao léu.... By Me... :::Desabafado
às 00:25 por Anna Karenina (Patuska).
Sábado, Março 19, 2005
Mais uma vez eu vou vasculhar meus armários... Retirar as traças, desembaraçar-me das teias que aranhas lentas teceram... Vasculhar cada gaveta e, por mais escondidos que estejam, vou me livrar de alguns ressentimentos... Quero forrar meus travesseiros com flores e folhas de cheiros... Quero a primavera em meus sonhos! Deixar cair as folhas de mágoas que não cabem mais em meus outonos... Em minha cama deposito o calor do verão, que cobre minha pele fina e translúcida com o véu do teu sol noturno. Embriagar-me de nuvens pesadas perdendo-me em invernos puros, onde me procuro e, sempre que me encontro, vibro com a harmonia que grita no vento! Liberto a cigarra aflita que habita nos cantos do quarto. Nele não há mais esperanças que, teimosamente, se escondem embaixo da cama! Elas agora pulam por todo o amplo cômodo... Não sou mais a Lagarta listrada que em todo Bandeira só dava bandeira... Não há pupa ou casulo, que me possa deter... Cresci... Sinto as asas mais fortes... E mesmo nesse quarto aparentemente em desordem, sorrio, volteio, aproveito minhas estações e adormeço... Quando acordar for preciso o farei sem medo pois estará terminada a faxina; e não sobrará mais nada fora do lugar, nem ao menos uma nova emoção!!! By Me... :::Desabafado
às 01:13 por Anna Karenina (Patuska).
Sexta-feira, Março 18, 2005
Há uma esperança perdida em meu quarto... Em algum canto, talvez no armário, embaixo da cama entre os livros da estante, misturada aos retalhos do tapete. Ainda não a achei mas sei que está lá... De vez em quando a vejo, mas a esperança é arisca foge rápido e se esconde. Mas não me preocupo, ela está em meu quarto! By Me... :::Desabafado
às 02:32 por Anna Karenina (Patuska).
Quinta-feira, Março 17, 2005 De que importa se terás companhia em tua cama quente? O que me importa se nem ao menos me deitei recostada ao teu peito, que batia no compasso do meu? De que me importa não ver mais teus sorrisos brilhando em meus olhos escuros e de sonhos fartos? Não me importa se nossas bocas não se colaram no gozo das noites eternas, no brilho das lembranças e muito menos em nossas peles... A única coisa que realmente importa é essa dor que grita nos olhos, na boca, na pele e que faz meu coração descompassar.... :::Desabafado
às 00:27 por Anna Karenina (Patuska).
Terça-feira, Março 15, 2005
Há uma mariposa branca, Clara, que em vôo cego, Há alguns dias, Me contorna em meus espaços... Ela rodopia, se debate E não consegue ver a claridade Que entra pela janela aberta... Em alguns instantes ela pára E fica quieta, quase me fazendo Acreditar que se foi, em seu Vôo, pela janela aberta. Mas em seguida ouço novamente O zumbir de suas asas ligeiras, Frágeis e débeis, me fazendo saber Que ainda me rodeia... Tento chegar perto, ajudá-la a sair Mas se tocar em suas asas Posso machucá-la... Então permaneço como mera Expectadora de seu vôo e Do meu próprio espetáculo... By Me... :::Desabafado
às 01:34 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Março 14, 2005 ![]() Em ponto atrás, no étamine da vida vou me bordando risonha... Em cada laçada de linha me entrego ao desejo traçado pelo gotejar de teus sonhos imersos em desatinos e sentidos escaldados pelo roçar das peles, dos prazeres esparsos e não raros dos corpos em brasa. Me pinto com pingos de girassóis quentes e despertos.... Te sinto como a tela em branco, que me faz desenhar meus passos débeis.. Pintamos nossos corpos com líquidas tintas de despudorados sonhos e na tela gozamos a explosão de cores, como os sussurros recolhidos entre os lençóis. Nos amalgamamos ao dia claro, clareando os sentidos exauridos dos sem sentidos desracionalizando a rotina exausta dos que desistiram, sorrindo para os que se concedem o prazer da loucura dividida, brincando como crianças vadias, que não se importam em deixar escorrer o tempo por entre seus dedos de meninos... Moldei teu rosto em papel machê, deixando em branco teus olhos castanhos, teus espelhos da minha clara alma banhada em beijos roubados da lua indiscreta que nos bisbilhotava. Fiz de meu corpo farto, quase casto, tua morada e de teus desejos mundanos, para tantos, insanos e sujos, mas para nós, puros como lírios dos campos permitidos da cumplicidade. Bebemos um no outro a alma calma, rara, de noites musicais, onde pirilampos e vaga-lumes fazem as vezes de maestros, e podemos adormecer entre as almofadas dos sonhos calmos e inocentes, de afagos puros e decentes, num respirar, frente a frente, o sonho um do outro... Patricia Gomes. PS: Esse foi o meu poema escolhido no concurso para integrar a Antologia... :::Desabafado
às 11:54 por Anna Karenina (Patuska).
Sexta-feira, Março 11, 2005 Há em mim agora algo que grita mais alto que minhas palavras... Uma felicidade que me faz vibrar! Acabo de saber que uma das minhas poesias vai ser publicada em um livro de antologias... Estou extremamente feliz!!! E aqui, publicamente, quero agradecer em primeirissima mão ao Ricardo Galeno, que foi quem me deu a dica e o maior incentivo a participar dos Concursos da Litteris... Para muitos pode parecer muito pouco, mas pra mim, é uma passada larga de uma realização pessoal.. Agradeço também a cada um de vocês que passam por aqui, que se identificam com meus sentimentos, palavras, que ajudam, me acarinham e me fazem sentir que a cada dia que passa eu ajo mais certo em ser esse ser sentimental, que chora, que ri, que sangra, mas que sempre aflora em amor.... Obrigada a todos, por me darem motivos para escrever... Por me fazerem sentir.... :::Desabafado
às 23:20 por Anna Karenina (Patuska).
Olho pro espelho distante e muitas vezes irreal... Sou eu quem olha, mas será que sou eu mesma quem me retorna??? By me... E como disse o Moska pra mim, comentando esse mesmo poema na minha página do Multiply: Toda forma de arte é uma tentativa de ser espelho. Pele de vidro, carne prateada e alma reflexiva. refletir o refletir :::Desabafado
às 02:22 por Anna Karenina (Patuska).
Quarta-feira, Março 09, 2005 ![]() Banho minha luz no escuro da fumaça da água quente que escorre de dentro dos olhos que dançam e do chuveiro que me chora seu calor ansioso... Entrego-me a esse calor que me invade a carne fria que transpira gotas febris enquanto a tarde ardia fria dentro de uma sala letrada. Dos cabelos escorrem as lágrimas quentes do escuro e minha retina se perde nas gotas que o espelho reflete e que já não sei mais se repete o que me vai escorrendo pela face rosada do calor e do esforço de ter um controle exato do inexato momento. Sinto-me em meu ventre... Nele eu me remexo, sem saber ao certo o que é querer ficar e o que é o desejo de sair, de voltar pra algo que nunca me entendeu bem, e do qual jamais obtive respostas... Não sirvo mais pra semente, não caibo mais em ostras e dessa forma, me retiro de meu ventre a ferros e aos berros começo meus passos... Não são berros de dor, mas gritos de quem acaba de chegar, certa e errada, um tanto quanto descabelada, cambaleante, pensamento desafiante, coração retumbante, espicaçado, mas que é feito mula quando empaca, pois não arreda passo, ainda mais quando se assume certeiro, racional e exato... Extraio-me a ferros, devolvo meu ser, que desconheço, ao meu espelho já nem tão baço, para que nesse espaço, eu me reconheça no que sou, e não no que deixei de ser... :::Desabafado
às 00:20 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Março 07, 2005 Descontrole... Até onde ele pode me levar? Deixo meus passos seguirem a insanidade e me perco no caminho que não queria tomar. Tropeço em meus passos cambaleantes, mais por medo de tropeçar do que por estarem em falso. Na ânsia de acertar mais uma vez ponho tudo a perder. Mas não se perde de todo, porque sempre há algo a aprender... Descontrole... Limitar-se a extremos, sem saber-se onde realmente está. Cabeça dando voltas insanas em torno de fantasmas insones que não existem... Passos calados num tempo de recomeço, de reconhecimento, amadurecimento... A infância teve seu tempo... Descontrole... Justificado de forma plena, sentimental, arraigado em ilusões de cegas borboletas que sentem a proximidade do vôo final... Tombar o corpo em outro... Não há como segurar, a força é escassa, ainda mais quando tudo é demais em momentos em que há de ter de menos. Controle... Voltar ao espelho, mirar, apontar, aprontar e seguir o novo traçado de um tempo que desconheço, que não sei de onde virá. Não conheço as agulhas com que terei de tecê-lo, mas os olhos baços, emoldurados por uma chuva púrpura, deixará que, em sua curva, o vento lhe sopre a direção. Por enquanto, o rastro de lágrimas púrpuras ficarão pelo chão, como marcas a seguir e não voltar a percorrer a trilha errada do descontrole.... :::Desabafado
às 19:11 por Anna Karenina (Patuska).
Domingo, Março 06, 2005 ![]() Palavras buscam rumo entre meus dedos, mas perdem-se nas linhas insanas das minhas mãos pequenas e cansadas. Passos já deixam descalços meus pés, pois querem agora parar e percorrer a mansidão do lago do inverno. Parada, fico extasiada diante do nada que transborda meus olhos em lágrimas salgadas e sem sentido, mas que me fazem sentir mais do que tudo existe. Parada, fico a esperar... Esperando, fujo para outros planos onde busco sonhos que têm cheiros adocicados, amargos, ocres e salgados. À beira da realidade estanco os passos, que de tão largos já não caminham mais. Palavras, passos, olhares, espera... Tudo na parada, tudo parado... Mas não há inércia! Por Patricia em mais um domingo estático.... :::Desabafado
às 18:21 por Anna Karenina (Patuska).
Sábado, Março 05, 2005
Em cada olhar lançado lança-se um sonho Em cada boca unida unem-se sonhos Em cada mão entrelaçada entrelaçam-se sentimentos Em cada espaço vago somam-se vida By Me... :::Desabafado
às 22:02 por Anna Karenina (Patuska).
Terça-feira, Março 01, 2005 ![]() Na madrugada que apenas começa me vejo despertar por tua insônia ... Nos vemos em nosso olhar insone e carregado de boas surpresas. Nos colocamos em sintonia e nossos corpos se moldam às palavras que tantas vezes sussurramos incontidas, inauditas. As alças dos desejos se rendem à gravidade e tombam, me mostrando em pêlo á você, que me colhe em teu olhar claro, sensual, deixando-me lânguida de um urgente desejo. Tuas mãos percorrem meu corpo claro e ansioso do teu, teus olhos me banham numa luz nova, de sensualidade desconhecida, e nossas bocas se entregam num beijo casto, cálido e ardente. Sussurramos desejos, gemidos e entre beijos explodimos em estrelas.... Trêmula, em teus braços adormeço com a certeza de que teus girassóis ainda estão pousados em mim.... Ao som de Lorelei do Cocteau Twins... :::Desabafado
às 13:00 por Anna Karenina (Patuska).
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