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Sexta-feira, Julho 29, 2005
Estou corrida, de saída e nem sei o que faço, ao certo primeiro... Corro de um lado, volto pra outro, olho pra frente, pra trás e já sei: tenho que correr mais... Vou partir.... Por quanto tempo?? Não sei, nem quero saber.. Partirei sem data prévia de retorno.. Sairei assim mesmo, correndo feito louca... Mas estarei sempre de olho na minha viagem prévia.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 16:46 por Anna Karenina (Paty).
Quinta-feira, Julho 28, 2005
Ainda continuo aqui... A te esperar... A sonhar com teus sorrisos e doces carinhos Olho pro sol e sinto você chegar mais perto mas não consigo tocá-lo por mais que me esforce... Quero-te ao meu lado Aquecendo meu corpo ardejando minha mente Queimando-me a alma..... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 15:25 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Julho 27, 2005 Passeio pelos quatros cantos do céu abrumado Em carruagens de ventos parcos e sutis que me resgatam E me trazem ao mundo da magia que só percebo Em teu tenro e castanho olhar. Tuas faces despontam diante do sol que se põe, E em cada uma delas vejo teu olhar sorrindo pra mim. Sinto o toque quente de teus lábios em meus olhos E tua boca sussurrando meu nome, que é só teu. Teus retornos são sempre imprevisíveis... Mas sempre, de algum modo, se fazem pressentir. Pois sempre o encontro nos salões de Morfeu E sempre temos tempo para uma valsa e um casto beijo. Sua presença sentida em minha alma cala toda ausência; Que o tempo nos impõe, às vezes irônica outras desajeitada. Tua vida há muito se enlaça à minha de forma disforme, Mas nesse redemoinho, sabemos sempre onde estamos um no outro. Patrícia Gomes :::Desabafado
às 21:11 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Julho 26, 2005 ![]() Por onde andará o rei que povoa os meus sentimentos, que acaricia o neu corpo com seus pêlos suaves e macios... Com suas mãos magestosas??? Por qual paragens ele cavalga nessas horas em que não estás comigo? Será que sentes meu olhar ao longe, procurando por uma pista sua? Sentirás que estou ao teu encalço, mesmo quando, em seu galope, não consegue sentir meus beijos na suave brisa que lhe sacode os cabelos e acaricia a face? Ah, Mylord..... Estou á tua espera, em cama magestosa, com negras sedas, para nos embalarmos em suaves afagos e amores ardentes.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 15:41 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Julho 25, 2005 Enquanto caia o entardecer da noite , a lua sorrindo-lhe amarela pela janela aberta, ele pensava. Pensava em toda a tarde, a ouvira e queria mais. De repente ela apareceu em seu quarto, despertando-o de seu sono primeiro. Conversaram como se nada mais existisse além dos dois ali, bem perto. Ele sentia todo o calor que emanava daquele corpo, por hora tão frágil, e a queria cada vez mais forte. Mas a noite adormecia e ambos se falando, se olhando... Sentiam-se cada vez mais próximos, mais intensos em si mesmos e um no outro. Nada escapava entre os sussurros e os gemidos que aos poucos foram brotando. Ele a quer; Ela o tem, num ímpeto e sem apressar o rio.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 14:26 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Julho 23, 2005 Há uma ausência que me sacode que me faz tremer por dentro, sem saber ao certo o que vai por fora. Percebo que lágrimas correm soltas, quentes e salgadas, algumas morrendo em meus lábios secos e doridos. Fico querendo secar, mas é em vão, vem em turbilhão e já páro de lutar contra. É algo que me chega, ás vezes, como uma vontade de voar, de saltar de cima da casa, de me estatelar no chão. Mas não é desejo de morte, não... É de sentir algo além da inércia.. A queda, o võo, o impacto. Preciso de um impacto, que me faça sentir mais forte. Necessito de alguém mais forte, que me conforte, que me console e que me deixe fazer o mesmo. Não que um homem seja a razão ou a solução para os meus problemas. Mas nesses dias tão estranhos, como vencer os medos, as angústias e frustrações que nos acompanham? Como não relativizar, comparar? É tudo tão estranho.... Me sinto tão estranha... Acho que sou mesmo uma pária da raça. No entanto acho que isso, ate certo ponto, deve ser bom. Nunca gostei de regras, de ser comandada, de acatar ordens. Vai ver se fosse assim, reprogramada, não sentiria tanto a necessedidade de acalanto, de estar só, de colo, de dar colo, de amar e ser amada... Mas deixa pra lá... É muita besteira e contradição prum um único dia de sol..... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 19:03 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Julho 22, 2005
Finja Minta Iluda-me... Mas ao menos uma só vez, diga que me ama.. Não há problema se não passar de uma ilusão fugaz, de algo passageiro, mas ao menos agora minta, grite na doce ilusão de que há amor em seu coração que ele pertence a mim... Finja... Ao menos por hoje....... Patrícia Gomes. :::Desabafado
às 02:04 por Anna Karenina (Paty).
Quinta-feira, Julho 21, 2005 Dói-me os peitos em minha fase de cio... Mas me dói mais a falta dos teus dentes a mordê-los.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 01:23 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Julho 20, 2005 Aos amigos que me aceitam como sou.... Dizem que amigos a gente guarda do lado esquerdo do peito, dentro do coração... Não acredito nisso não, seria muito pouco espaço prá tão grande e nobre sentimento! Amigos a gente guarda em todo o corpo, em cada sensação, em cada sorriso que ofertamos ou nas lágrimas que deixamos escorrer pela face... Amigos são dádivas que nos acompanham por toda a vida, mesmo quando é preciso nos despedirmos dele. Amigos são aqueles que falam as verdades certas na hora mais certa, e mesmo sabendo que pode magoar, diz e ainda oferece o colo para desabarmos em meio a verdade. Amigo é aquele que que gargalha com as piores besteiras que você faça ou fale... E ainda conta para todo mundo os teus foras e faz você se divertir em meio a vergonha da bobeira dada! Amigos de verdade te chamam a atenção quando faz alguma besteira, mas sabem dosar a força do puxão de orelha! Amigos são uma parte de nós... Uma das máscaras que usamos, só que em um corpo momentâneamente diferente... Amigos de verdade é o nosso espelho que sempre nos diz a verdade, são os olhos que nos vêm melhor do que somos realmente. Se meu sorriso hoje volta ao meu rosto, eu devo a todos vocês que passam por aqui e me animam... Obrigada... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 16:01 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Julho 19, 2005 Com palavras soltas no vento ela deixou-se seguir com as folhas que voavam descalsas sobre os pensamentos desalinhados. Os cabelos despenteados emolduravam o tempo que corria apressado, deixando-a com dor de cabeça. Ela queria seguir e fazer de seus cabelos uma moldura melhor para seu mestre, mas ele era imperioso demais... E ela corria de menos.... Procurou então pintar nas nuvens sorrisos amarelos, lilases, rosas, embandeirados, mas o vento, como o tempo, corria também bastante apressado, e de nada adiantava ela tentar usar os seus pincéis novos. Desistiu de seguir o tempo alheio... Ficou perdida e alheia em si mesma, até que descobriu um lago e, nele, começou a contornar, com as pontas dos dedos, o seu prórprio soriso..... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 17:45 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Julho 18, 2005 As vejo fortes, correndo por sobre a terra sem se abalar em nada, abalando as estruturas de tudo mais próximo mas crescendo como tem que ser... Sinto falta dessas raízes, mesmo as mais internas, em mim mesma.... Em lares que nunca foram meus, em amores que nunca deixaram nem semente e em minhas formas dementes... São raizes que quero ter... E em mim tenho plantado algumas sementes e regado todos os dias e sei que há de florir e de ter fortes raízes, mesmo que sejam pra sempre internas e de fina textura.... Patrícia Gomes - Projeto CVG (http://projetocvg.multiply.com) :::Desabafado
às 23:31 por Anna Karenina (Paty).
Domingo, Julho 17, 2005 É real o gelo que recobre a tarde É real os palácios pomposos com seus jardins imperiais É real os Dragões sem se moverem... É real os estilhaços, as bombas e as mortes é real a dor instalada no peito de tantos nós... É real o s portões que nos separam do mundo... Só é irreal essa coroa... Que nada significa de real.... Patrícia Gomes Baseada na foto 03 do Projeto Composição à Vista de Gravuras (CVG) :::Desabafado
às 16:25 por Anna Karenina (Paty).
Quinta-feira, Julho 14, 2005 ![]() São palavras ditas e sussurradas durante à tarde, num ato mais comedido e durante a noite elas me chegam mais fortes, sensuais, me atingindo direto a libido. São promessas que me chegam pelo ar, como mágica e eu já não sei se posso e quero acreditar. Não duvido... Não de quem diz. Mas está em mim algo que me faz recuar. São gestos que me tocam, mesmo através dos escudos e muros que criei á minha volta, mas que ao mesmo tempo quero desfazê-los. São traumas tantos, frustrações inúmeras, medos infindos, mas uma capacidade irreal de acreditar na esperança, uma força surreal na fé de que tudo pode dar pé... São desejos de tudo mudar, de sorrisos novos exprimir, de fazer o corpo correr leve na brisa que o sol do inverno faz bailar no ar. São forças novas que sinto chegar, de onde não sei dizer... Das preces? Dos desejos de poucos amigos, das palavras diretas e certas que me atingem o coração? Pode ser um misto de tudo e ao mesmo tempo ser apenas eu, nascendo em formas disformes e reformulando a forma que devo ter. São corpos que se chegam, com desejos contrários aos meus, que expulso e expurgo, com minhas palavras ditas e assinadas embaixo. Mas que sempre faz um certo estrago. São pensamentos que me fazem viajar, da Terra do Nunca á realidade nua e crua e vejo sangrar a veste verde do Peter, a azul camisola da Wendy e despedaçar as asas da Sininho... São vontades de reconstruir tudo em cores e formas mais felizes, com o brilho de sorrisos mais límpidos que sei que há em mim... Cores que podem ser de qualquer pintor, até dos contemporâneos, musicalidades sem fim. Artesanalmente vou crescendo junto com essa estranha esperança que certas palavras ditas e sussurradas têm me feito sentir. São medos que não quero sentir, lágrimas que não quero deixar rolar... E tenho me esforçado por te esperar.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 00:36 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Julho 13, 2005 Em teu encalço me ponho a correr descalça por cima de brasas acessas.... Não sinto o calor do fogo nos pés calejados de tantas proucuras mas sinto a dor de tua partida... Meu amor, tua partida foi fria mas minha dor me aquece como a fogueira que me sobe dos pés... Mas nesse dia frio, de inverno ensolarado deixo a dor partir com as cinzas que sobraram por que quero e desejo, novas brasas, mas em meu coração... Patricia Gomes :::Desabafado
às 14:12 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Julho 12, 2005 Realidade ou ficção??? Fica a questão no ar.... Cheguei em casa após um dia no qual não conseguia ver nenhuma perspectiva.... Tudo estava cinza e sem graça. Poucas palavras lidas me fizeram sorrir, mas os parcos sorrisos que vieram, foram da alma. Queria ir pra casa, aproveitar o frio da noite que já não chovia, para me cobrir de sonhos... Mas demorei a chegar... Logo que entrei em casa, pensei em meu "banho ritual"... Comecei a me preparar e o telefone tocou... Ainda era noite, ainda via tudo cinza e de repente você tocou... Tocou-me várias vezes com suas palavras certas, algumas pensadas, outras espontâneas. Sua risada aos poucos fora se moldando, deixando-o mais solto... Até mesmo em algemas nos prendemos... Ah.... Não há tempo mesmo, só a relatividade que tudo comanda. De repente o dia cinza se acabou, a noite se pintou de rosa e a madrugada se fez chuvosa, mas com arco-íris pra mim. Assim nos despedimos, com gosto de sono e desejo de mais.... Meu quarto me aguardava em sua penumbra... Com as chamas das velas a imitar o bruxulear das estrelas, que se escondiam, para deixar-me ver apenas o brilho dos teus olhos sorrindo... Com um sorriso nos lábios, despi-me sentindo a textura da roupa que se despedia do meu corpo, e, assim, fui deixando-me envolver... Mais que nunca desejei me entregar a esse meu ritual. Velas acessas, música suave, era esse o meu cenário. Nua, me entreguei às carícias da água que jorrava morna sobre meu corpo... Em meio às carícias comecei a dançar... Deixei-me embalar também pela lembrança das palavras, do som da voz... Já não dançava mais para mim... Alguém se encontrava ali, naquele minuto, comigo! Pra você eu dancei, acompanhando as carícias da água com meu toque... Senti teu olhar me tocando, quente como ferro em brasa, sua excitação chegando até mim, me excitando ainda mais também; como se a água em meu corpo fosse suas mãos a me acariciar... Então rendi-me às tuas mãos intrusas, obtusas e sensuais... A noite postou-se atrás de mim, como um segundo voyeur... Entreguei-me, nesta noite mágica, ao meu amante invisível, que hora se mostrou terno e absoluto, noutras selvagemente alheio... Nesta madrugada me entreguei ao gozo de querer-te, de tocar em ti por mim... Languidamente voltei ao meu quarto, não me sequei... Deitei-me com o suor do meu amante em meu corpo, e, num ímpeto, voltei a tocar-me, sentindo a maciez acetinada dos meus seios, a umidade quente do meu sexo a pulsar... Só me importava o meu prazer... Minha entrega total a você e aos teus olhos... Meu gozo explodiu em sucessivos flashes... Meu corpo se expandiu e misturou-se à madrugada. Minha cama se umedeceu. Além do meu gozo havia também o seu, que jorrava pela janela, se espalhando em mim... Recomeçou a chover, e assim, úmida, nua e com as carícias da chuva, enfim adormeci... Mas com você aqui...... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 00:17 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Julho 11, 2005 - Seus escritos são interessantes. - Mesmo? E isso é bom ou ruim? - Muito bom!! - Ufa! (rs) isso é sinal de que tenho algo de bom aos teus olhos. - Ah, mas tem sim, e muito, ainda mais depois que a li. - Hummm, como assim? - Depois que a li, passei a te entender e também a entender o que disseram de ti. - Como assim? O que disseram de mim que você entendeu melhor me lendo? - Que você deve mesmo ser muito boa no que faz. - Ainda não entendi, você se refere ao fato da minha escrita, dos meus textos e poesias? - Não, ao fato da sua profissão. - ... Minha profissão? Vendedora de livros, nunca falei dela em escritos meus? Como assim? - Como assim digo eu... Você não é prostituta? - O QUÊ????????? De onde tirou isso???? Como assim??? - É o que me disseram, e lendo teus contos, imaginei... - Imaginou errado, ouviu errado... Sou vendedora sim, mas não do meu corpo. Minhas palavras me traduzem, mas meus contos são fantasias, ficção que está na mente de qualquer um. - Hummm, me desculpe então. - É como eu disse, se tem dúvidas, pergunte a mim... Não dê ouvidos a tudo que ouve e ou lê. - É... mas... -Sabe, acho melhor ficar por aqui... No fundo acho que você ouviu o que quis e achou o que não esperava. E eu não estou afim de deixar no ar o que não quero. O que você ficou sabendo, seja de onde for, é mentira. E quer saber do que mais? Segue seu rumo, que não cruza com o meu.... Adeus! Patrícia Gomes e... Deixa quieto! :::Desabafado
às 14:57 por Anna Karenina (Paty).
Domingo, Julho 10, 2005 De formas estranhas, aqui chegamos... Em estranhas formas, de entranhas estranhas... Num emaranhados de formas que nos deixam ainda mais estranhos... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 18:15 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Julho 09, 2005 - Quem é você? - Quem, eu?? - Sim, você, quem é? - Mas porque você quer saber? - Porque já ouvi e li muito a seu respeito, quero te conhecer melhor. - Eu sou o que escrevo... - Mas não li o que escreves, mas o que escreveram sobre você... - Hummm, isso é bom ou mal? - Tem os dois lados. Por isso quero saber de você. - Então façamos um trato... - Trato? E qual seria? - Leia-me, e se sobrar qualquer dúvida, pergunte a mim.... - Não podes me dizer? - Poder posso, só que não quero repetir o que já está dito... Patrícia Gomes... :::Desabafado
às 11:40 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Julho 08, 2005 Ah, se pudéssemos destemperar um pouco esse tempo tão apimentado... Que muitas vezes nos arde em sua suada carreira... Se pudéssemos desacelerar o tempo e com ele seguirmos fazendo o que nos vai à alma sem ter medo do mestre que todos dizem ser o Tempo... Patricia Gomes :::Desabafado
às 00:17 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Julho 06, 2005 Perda... Esse sempre foi um sentimento que nunca soube lidar. Sempre procurei fugir dele de todas as formas que fosse possível imaginar. Evitava despedidas com o mesmo afinco, porque sempre soube que seria pra sempre... Mas quanto mais eu fugia, mais renegava, menos tentava aprender a lidar com ela, mais ela me acontecia. Todo ano vinham as despedidas de tantas pessoas amigas, de lugares que realmente nunca mais vi e visitei. Outras tantas pessoas partiram e com essa partida tudo foi se modificando e eu me sentia culpada, às vezes, com essas partidas repentinas. Será que eu tinha feito algo de errado sem querer? Mas sempre ficava a resposta no ar. Outros foram se chegando e eu sempre de portas abertas, nunca consegui fechar, pois, ficar trancada sozinha consigo mesmo, é claustrofóbico demais. Mas sempre que sentia a iminência de uma partida, pronto, lá vinha toda a dor e de certa forma vinha antecipada, como se eu fosse alguma espécie de oráculo, Pítia, que pudesse saber com certeza o que aconteceria (sempre chamei essa minha intuição de Síndrome de Kassandra. Rs). Mas sempre algo realmente acontece quando me sinto assim. De janeiro pra cá tive duas perdas que me fizeram sentir muita dor... Um amigo que desejou ir embora desse mundo mais cedo e uma amiga que partiu, porque achou que era o melhor a fazer. Com essas duas perdas, eu procurei aprender, não quis fugir delas, queria entender o porque me doía tanto e encontrar um meio de saber lidar melhor com isso. E assim fui me lembrando de muitas coisas que já li, de filmes que vi... E numa dessas lembranças, me veio à mente a cena de alguns monges, no Tibet, terminando uma mandala, que fora toda feita com areia... Lembro que foi uma das coisas mais bonitas que já vi... E um monge explicava para uma personagem americano o que simbolizava a mandala e que já havia um ano que eles a estavam fazendo... E num rompante, ele simplesmente passa a mão por cima dela, desfazendo-a completamente, e os outros monges agem como se nada tivesse acontecido. Pasmo, como eu tb fiquei, a personagem pergunta o porque daquele gesto, ao que prontamente o monge responde: ¿Para que possamos aprender que tudo no mundo é fugaz¿! Foi pensando nessa frase que eu comecei a entender o porque de tantas partidas: a necessidade de aprender o desapego. Essa semana, mais uma perda, essa ainda mais dolorida e inesperada, a da minha sobrinha, que estava com 13 dias. Ela se foi. E eu mais uma vez perguntei porque? E foi ela quem me respondeu... Tudo é fugaz e nada é pra sempre... Até mesmo o pra sempre, sempre acaba, e cada um de nós tem que saber que partidas são necessárias, para que haja novos encontros e reencontros. E assim vou seguindo, aprendendo... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 23:24 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Julho 05, 2005
Num dia de sol ela chegou apressada e valente, chorando alto e dando susto na gente... Foram 13 dias de alegria e muito amor... Treze dias de felicidade.. Hoje o sol novamente nasceu forte, mas ela, ela voou. Preferiu voltar pro seu jardim encantado No céu ensolarado.... No coração uma dor estranha, que parece vir das entranhas.... Mas a certeza de um retorno.... O que nos traz uma leve sesação de paz... Voa minha linda borboleta... Voa e nos faça sentir a sua brisa Porque o amor, ficará sempre em nossos corações.... Patricia Gomes para Giovanna Gomes Pimenta - 21/06/05 á 04/07/05..... :::Desabafado
às 02:40 por Anna Karenina (Paty).
Domingo, Julho 03, 2005 Sei o quanto o momento é fugidio e tento me apossar dele, retê-lo em minhas mãos, mesmo sem saber ao certo o que fazer em seguida com ele. Em cada momento sinto as coisas diferentes e já não sei ao certo como retê-las ou se há como reter. Há muitas questões e contradições nessa cabeça que flui sem nexo e sem direção certa, mas é assim, nesse caos, que farei o meu centro ficarorganizado. Quem não se sentir assim ou nunca se sentiu assim, nem precisa acompanhar minhas linhas. Elas são na medida exata do que sinto e que muitas vezes meu corpo não percebe. Minhas linhas se insinuam e misturam-se com meus cabelos, cheiros, sexo, pudores, meu corpo exala, inspira, mas nem sempre se move, mas há de mover-ser, porque não há inércia que dure pra sempre... Aliás, até mesmo o pra sempre, sempre acaba.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 23:33 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Julho 01, 2005 O saqueador Ele foi chegando de manso, como quem não queria muita coisa, além de uma companhia que fosse capaz de ouví-lo e entender o que dizia... Lhe trouxe uma rosa, bem vermelha, como garantia de que Ela sorriria e, mais uma vez, não se enganou. Ela sorriu, abriu a gaveta, retirou as chaves e cometeu seu mais insano ato: abriu-lhe as portas.... Ele veio, entrou, deu-lhe a rosa, acarinhou-a, amou-a em palavras que Ele dizia serem certas, aliás, dizia que tudo era certo, que tudo seria mais que certo. No entanto, Ele não queria nada além do que alguém que o alimentasse e cuidasse do que Ele mais amava: Ele mesmo. Ela demorou, mas percebeu que seus sonhos e desejos estavam sendo saqueados, que seu amor estava sendo debochado, mas mesmo assim ainda não quis acreditar. Como Ela poderia se enganar tanto? Mas se enganou... Ele tirou-lhe tudo de bom que tinha, levou tudo: seu amor, seus sorrisos, sua tristeza e a deixou com a apática solidão, porque até mesmo a rosa que lhe dera, Ele a saqueou.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 18:49 por Anna Karenina (Paty).
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