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Quinta-feira, Setembro 29, 2005
Na minha mais sã loucura te vejo em mim e me descubro tão mais perto de ti, quanto mais perto de mim me aproximo... E engano o mundo, porque você sorri e aí que se dane tudo o mais.. Até mesmo a rima, o verso a lírica sanidade de meus versos já nem tão banais... Patrícia Gomes Imagem roubada descaradamente do site do Louco de Lisboa :::Desabafado
às 14:38 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Setembro 27, 2005 No gozo rouco de palavras tão soltas me deixo despertar por desejos loucos de sonhos surreais, mas que em mim se tornam mais que reais... Há damas, reis, peões, e num enxadrezamento tudo se conquista, nada se desmonta, tudo fica enquadrado no preto e no branco, mesclando-se num movimento sem fim. Fico assim, a sonhar em mim, como a sonhar em ti, que não sei quem é, mas de que adiantaria saber, se também não sei quem sou? Loucura? Porque não... A sanidade há muito já passou e nos quadrantes do tablado, vou desfilando, sempre Dama, sempre a espera do Rei ou do xeque-mate.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 23:12 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Setembro 26, 2005
FESTIVAL DE HAIKAIS Teus olhos tão certos brilham o segredo da noite chuvosa e assim guardam o segredo do olhar... Menina casta e olhar claro mulher desejosa de reais cios cortesã apaixonada por ilusão.... Minhas palavras já tão gastas e usadas andam a buscar algum novo olhar que as queiram em seus ouvidos roucos... À luz que sensualiza o quarto ao som do jazz que invade o espaço, os corpos se enlaçam num gozo único, magistral, irreal e totalmente louco! Patrícia Gomes.... :::Desabafado
às 17:10 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Setembro 23, 2005 "É melhor ser alegre que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza Senão não se faz um samba não".... Assim Vinícius e Badem começaram um dos sambas mais bonitos da nossa música popular. E muitas vezes já ouvi dizer que nós escrevemos melhor quando estamos tristes, ou quando nos magoamos, ou se falta algo em nós ou ao nosso redor que justifique alguma lágrima que, por ventura venha a rolar pela face. Mas Muitas vezes elas rolam sem razão aparente, e há quem as cante, quem as poetiza, romanceia e os que apenas choram.... Na tristeza temos mais tempo para olhar pra nós mesmo, para sabermos o que pode estar acontecendo e o que pode estar em falta tanto dentro e fora de nós mesmos. Mas muitas vezes simplesmente fechamos os olhos para o que está de errado e nos acomodamos, deixamos de fazer nossas mudanças internas, achando que se mudarmos externamente, seja em nós mesmos, ou de cidade, o ambiente de casa, tudo poderá ficar mais fácil de lidar. É triste ser triste... Mas convenhamos que em toda tristeza há um ¿quê¿ de beleza que torna tudo mais claro, mais vivo. As palavras e melodias brotam como se despejássemos todos os sentimentos nas linhas e entrelinhas ou em cada nota de partitura. Em cada gesto que fazemos mostramos que há algo de belo em 100% do que somos e do que nos rodeia. Na alegria estamos mais voltados para a fugacidade do momento, queremos retê-la a qualquer custo, que mal temos tempo de pensar muito, afinal sentimos só o misto da felicidade momentânea e do medo dela acabar. Acredito que é esse medo de findar algo, que, por si só já é breve, que impele, alguns, a descreverem com maestria as belezas da felicidade. ¿Estou tão feliz que tenho até medo!¿ Quantos de nós já não repetimos essa mesma frase? Quantos de nós pode estar sorrindo e nos olhos mostrando essa frase aos demais? Seria por esse medo de que a alegria dura tão pouco? Não creio. Acho que aprendemos a lidar mais fácil com as tristezas, nos acomodamos mais a elas, já que são mais constantes. É mais fácil ficar no buraco que cavamos, esperando que alguém nos tire de lá, do que sair dele com esforço próprio Não faço apologia á tristeza, não é esse o meu objetivo, mas sim mostrar que ainda não aprendemos, de todo, a sermos alegres. Sempre queremos mais, mas ficamos sem saber como fazer. Não aprendemos ainda a gostar direito das pessoas, a chorar nossas mágoas nos ombros dos amigos... Não aprendemos direito a silenciar nossa boca prolixa, para deixar que o outro fale de si... Não aprendemos ainda a tapar os ouvidos para as críticas que recebemos e que também não sabemos lidar com elas e, muitas vezes, nos deixamos desmontar. É preciso sim de um bocado de tristeza, mas é muito mais necessário o aprendizado da felicidade, do respeito aos outros e por nós , da força que temos e saber que tudo o que a gente mais precisa aprender, é o que falamos todos os dias aos amigos que necessitam. Só precisamos nos ouvir mais atentos e também confiar.... Tudo na vida é fugaz, tudo passa, seja alegria ou tristeza, somente as lembranças ficam, e é muito melhor guardar as melhores, pois são elas que nos alimentam sonhos maiores, são elas que nos fazem ir além do arco-íris procurar o pote de ouro, que é a perfeição de sermos apenas nós mesmos... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 18:55 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Na pele que você me expõe sinto correr o frio da lâmina que te corta e pelo sangue que escorre, penetro e te lambo tomando cada gota do teu sangue, suor e a sua saliva. Na amarra que fiz de suas pernas sinto teu gozo ecorrer por entre a fenda propositalmente aberta. És minha por direito e escolha e por teus olhos eu entro e tomo-lhe a alma. Ajoelhada, se vê dominada por meu olhar Não te falo nada, muito menos a toco. Só pela minha respiração sabes que és minha e assim, me implora por um beijo, mesmo sabendo quanta dor ele pode lhe trazer, sua pele já arde pelo meu toque. Você me diz que és minha, mas ainda teme, não a mim, mas o que faço aos teus pensamentos. Quero-te nua e entregue, sem nenhuma amarra que criastes pois assim terá só as minhas E você se sentirá livre.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 22:36 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Setembro 16, 2005 ![]() Há lagos defronte ao meu olhar que tento sempre secar... Há pegadas diante do meu possível caminhar que não sei se quero seguir... Há palavras já ditas entre a minha boca e minhas palavras e mesmo assim as expulso. Há medos demais que não são meus em minhas entranhas e estou parindo cada um deles. Há ilusões demais em cada esquina que viro à procura de algo novo, e não quero colar velhos cacos que não me dizem mais nada. Há em mim desejos novos que vou deixando aflorar de maneira suave, de forma lenta... Há algo que desejava muito, mas que acabo de desistir, não funciona mesmo, ao menos comigo... Há muita alegria em estar viva, em poder recomeçar, mas também me sinto perdida, por onde recomeçar? Há dias perfeitos, onde as respostas são mais claras e tão palpáveis que tudo se torna mais fácil do que realmente é, mas vou e consigo. Há dias em que tudo é tão inatingível, que tento duas, quatro vezes e por fim, desisto.... Há dias, como hoje, que sento e escrevo, fazendo ou não sentido... Sendo ou não lida por alguém... Há dias apenas.... simplesmente dias... Patrícia Gomes Imagem: Joyce Tenneson :::Desabafado
às 15:53 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Setembro 14, 2005 DECIFRA-ME E DEVORA-ME!!!! Há momentos que não sei se sou triste ou sou feliz... Chego à conclusão, às vezes, de que vivo meio que no vão desse muro onde cada lado é um extremo, e fico tentando perambular e me equilibrar por cima dele. Algumas vezes tropeço em meus passos desajeitados e escorrego prum lado qualquer. Muitas vezes dói muito, é um tombo duro, seco, sem nada que faça cessar mais rápido a dor, só mesmo o passar do tempo. Noutras a queda é suave como pluma, e há sempre asas que me seguram e brincam me fazendo sorrir e me sentir ainda mais leve que o ar. Há sonhos e realidades que teimo em deixar passar, mas não sei se é uma teimosia proposital ou já arraigada a mim por muito errar. Mas se for por errar, é tambpem uma forma de acertar, pois é errando que se aprende. Mas o que escolher afinal? Como manter-se no fino espaço de cima desse muro tão estranho, que não nos deixa escolher o lado certo a ficar? Do que falo afinal em tão loucas e improdutivas palavras? Sei lá.... Se alguém decifrar, devora-me..... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 18:29 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Setembro 10, 2005 Anonimamente você se apresenta... Anonimamente me faz declarações como se eu soubesse quem és. Não, não tenho bola de cristal apesar de serem transparentes os meus olhos e minhas palavras. Não vivo escondida, estou aberta ao mundo e sendo assim, não reconheço anonimatos. Vergonha, culpa, desculpa? Seja o que for, a mim não importa... Porque parece uma brincadeira tola atrás de uma bela porta! Patricia Gomes :::Desabafado
às 09:42 por Anna Karenina (Paty).
Quinta-feira, Setembro 08, 2005 Teu silêncio já não me perturba, não me faz chorar muito menos me deixa triste, querendo me calar. Teu silêncio já passa desapercebido, num riso, num olhar e numa folha que cai de manso e flutua no ar. Teu silêncio é riso em meus olhos, é afago misterioso em dias em que tudo pede recolhimento e calor. Teu silêncio é denúncia gritante, que quebra o vidro das minhas janelas e me acorda em plena madrugada. Teu silêncio é impertinente, porque te desmente à toa enquanto você se esforça para ser semente infértil. Teu silêncio é amigo pródigo do meu falar prolixo, ele lhe conta que teu coração não bate mais sem o soar do meu, sem ouvir a voz que deixo baixa mas que teus ouvidos procuram, mesmo que o olhar seja de adeus..... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 01:53 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Setembro 07, 2005 ![]() Acordei agora com o a chuva escorrendo pela noite que já há muito caíra... E logo me levantei, com saudades de ouvir seu som, suas palavras em minha pele, me fazendo sentir todo o sentido de tudo... Me despi, como das outras vezes para me entegar a essa força que meu pensamento clareia com tamanha força, mas estanquei-me... Não era a hora, eu não poderia me render. Há alguns obstáculos em meu corpo que não posso ainda retirar. Estes levarão mais tempo, ainda me machucam e me impedem do que quero... Mas vai passar e ficarei feliz quando puder dizer livremente o que penso, sinto e desejo à chuva que cai à minha espera... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 01:41 por Anna Karenina (Paty).
Domingo, Setembro 04, 2005 Ouço o dia que me chega limpo e a cada esquina que espreito recolho a luz do sol, banhando-me e me alimentando com suavidade pra seguir meu destino Sigo por onde ninguém se atreve a falar, muito menos descrever, reconhecer em sonhos, e por esse campo, de vulcões extintos, abro as portas de tão vasta mulher que deixo escorrer pela noite afora. Deixo que as árvores antigas me cubram com seus galhos intensos que ácido nenhum enferrujará. Ergo-me com seus braços de força divina e deixo que os pássaros posem em mim como os sonhos que diviso. Deixo o meu dia limpo, minha noite insone, e as tardes me sorriem enquanto os sonhos, mesclando-se à farta realidade, colorem o dia num borel arco-íris que beijam suavemente o meu coração... Patrícia Gomes Imagem: Espelho - Tiago Phelipe :::Desabafado
às 23:17 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Setembro 03, 2005 ![]() Falar: algo intrínseco que me move e me faz escrever ainda mais... Dizer o que me vai à alma, no coração na pele, em cada curva dos meus passos que deixo como marcas no chão. Falo a quem quer me ouvir, escrevo aos que só querem ler, sem pretensões, sem ascetismos e sem nenhuma outra vontade do que ir me esvaziando para no final ter o prazer real e literal de voltar a me encher e continuar nesse esvaziar e encher sem fim. Patrícia Gomes :::Desabafado
às 03:13 por Anna Karenina (Paty).
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