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Segunda-feira, Outubro 31, 2005 Há dias em que a vida nos deixa visualizar o que é realmente ser feliz e inteiramene plena!!! Nesses dias a felicidade chega e nos toma por inteiro, como uma veste tão fina e transparente que a sentimos como se fosse parte de uma segunda pele e a ela nos afeiçoamos que nem percebemos o quão diáfana ela é e também frágil. Há que se cuidar, acarinhar, cuidar com delicadeza, para que ela não se rasgue, que ela não esvaeça feito poeira ao vento. Se em algum momento ela nos despir teremos que saber recolocá-la no devido lugar com a cautela e o cuidado especial que ela requer... A felicidade é suave, é etérea, mas não é tão rara ou muito breve.... Ela só requer mais cuidado de nossa parte, mais atenção ao tratar de sua seda.... Felicidade vem de mansinho, nos fazendo sorrir e ainda nos ensinando a cuidá-la da melhor forma a mantê-la cada vez mais perto de nós. Sim, felicidade é uma ato de graça, que pode e deve ser eterno e não só na memória, mas em todo nosso ser, inclusive na pele. Sentir a liberdade de poder se sentir inteira, mas ao mesmo tempo sentir-se plena por se completar, não porque supõe que outro a preencha, mesmo que ele exista e te complemente em vários sentidos, como elos de uma corrente que se torna cada dia mais forte. O que está havendo com essa mulher pra falar assim hoje? É, algumas pessoas podem mesmo estranhar e querer saber... Mas o que ocorre é que aprendi a olhar o mundo pelo ângulo da simplicidade... Senti que um sorriso de uma criança pode muitas vezes salvar uma vida... Percebi que o carinho dos amigos que chegam e fazem sua mãe sorrir numa festa surpresa vale mais que todos os presentes mais caros... Estar próximo daqueles que te querem bem, que te acarinham mesmo com aquele olhar silencioso, ou com uma brincadeira que é carinho puro, nem uma jóia da H. Stern vale mais. Sim, estou feliz, porque estar entre o mais simples da vida é o estado mais pleno e puro... E é bom aprender isso no dia a dia... Patrícia Gomes Imagem: C. Novak :::Desabafado
às 17:46 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Queres na pele o suor que escorre do desejo que aquece... Queres os suores e os humores se misturando como se entrelaçam as pernas num movimento mais que sincronizado, desejado e que de tão lânguido deixa a pele arrepiada.... Queres os desejos mais passionais, as poses mais sensuais, as orgias casuais e as alegrias em risos que rebrilham no olhar que, de tão próximo, chega a te beijar com o perfume do gozo da real paixão.... Patrícia Gomes.... Imagem: Roubada do site do Louco de Lisboa :::Desabafado
às 04:26 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Outubro 26, 2005 Nua de palavras embaçadas Clara de olhares opacos Branca de dizeres subentendidos De entrelinhas que, de tão entrelaçadas, Já embaralharam todas as sílabas E nem há mais fonética que as salve Signos que se perdem em toda a prolixidade De desejos complexos, ingênuos e até Mesmo ridículos de uma harmonia ilusória Palavras castradas por olhares cegos Que deitam em minha cama e nada me dizem Silenciam a boca murcha mas que deixam Dores que doem de forma intensa e que não Fazem o menor sentindo a quem sente ou desentende.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 20:19 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Outubro 25, 2005 EU, EU MESMA E MAIS DE MIM.... O que há de estranho em falar comigo mesma e só eu mesma me enxergar e dizer a mim mesma o que sinto, o que penso e ainda responder a tudo? Seria tão estranho me ver jogar xadrez comigo mesma, ou replicar as minhas próprias proposições e entrar em surreais debates de minha tão estranha e tresloucada existência? Onde há normalidade em tudo o que está correndo e saindo de dentro de todos que vejo à minha volta e que se escondem em mantos invisíveis? Porque os mantos escorregam às vezes e logo procuram por um arbusto, tentando esconder-se de ninguém? O que há com as palavras doces, amáveis que guardamos pras horas mais certas, mas que insistentenmente ninguém deixa chegar? Continuarei eu a me dizer o que penso, a refletir no que sinto e a me responder, nem que seja em meus próprios silêncios.... Patrícia Gomes... Imagem: Jarek Kubickip :::Desabafado
às 16:32 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Outubro 24, 2005 Há dias que Thaty sentia o peito opresso... Seria novamente a "síndrome de Kassandra" a lhe dizer que algo estava prestes a ser perdido? Que mais uma vez ela teria que sentir antecipadamente toda uma agonia, uma dor surreal mas mais real que tudo, e depois sentí-la surrealmente realista? Porque muitas vezes as coisas tinham que ser assim, ela se perguntava. Nunca encontrou uma resposta que a satisfizesse. Sempre correu em busca das prováveis pessoas que sentia estar saindo de sua vida e nunca soube realmente o que se passava com elas para a estar abandonando. Quantos se foram, sem que ela ao menos entendesse o porque de tão brusca partida. Não, ela não sabia lidar com as perdas, com despedidas. Passara a vida inteira se despedindo e ainda não sabia dizer adeus com a naturalidade que se diz bem vindo... Ela sofria ao pensar quem dessa vez a abandonaria, quem estaria prestes a dizer adeus em um silêncio tão mudo, que já gritava tão alto em sua mente. Thaty não queria mais se sentir assim, com essa função um tanto quanto mágica, como se fosse uma espécie de Pítia. Ela quer se livrar disso, dessa dor, desses pensamentos... Ela quer que dessa vez tudo seja um engodo, um terrível engano e que nada vai mudar de plano. Ela se agarra a essa vontade e espera, espera pela resposta do tempo e que dessa vez ele a entenda e lhe diga o que ela precisa ouvir: que é verdade que estava errada dessa vez... Nunca se imaginou dizendo isso, mas sim, queria estar errada, mais que tudo... Até mais do que estar viva nesse instante, que de tão pesado, a oprimia, comprimia e a fazia chorar.... Patrícia Gomes Imagem: JJ André :::Desabafado
às 14:25 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Outubro 21, 2005 Sons tão leves se achegam de repente e me deixo embalar na melodia que acaricia meus cabelos com suaves mãos de desejos nada vãos. Não, não estão distantes não. Sinto-as aqui, a me despentear, a cantarolar o poente e o nascente dos sorrisos que me atrevo a doar. Mãos que tocam como se instrumento eu fosse, e suspiro como melodia que faz nascer o dia e adormeço entremeada em tuas mãos que me cantam para ninar, que me ninam no amar, que me amam em cada tenro olhar que me lança do lado de lá.. E que sempre sinto de cá... Mãos, música, carinhos... Ahhh, nada é em vão... Patrícia Gomes Imagem: Alberto Pancorbo - Suenos de amor IV :::Desabafado
às 19:59 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Outubro 19, 2005 Saudade.... Vontade... Estranheza... Tesão Lágrimas Sorrisos.... Eu... Tua.... Nua e tão crua... Patrícia Gomes Imagem: Nelly Recchia :::Desabafado
às 15:48 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Outubro 18, 2005 Nas palavras que dito bailo sem cerimônias, sou anônima, homônima, sou nula e atuante. Nessas palavras que deixo vazarem por entre dedos pequenos, vivo sentimentos expressos em desejos, desejos sentidos e nem sempre realidades ditas, como toda fantasia que fica guardada dentro do armário, sem fazer o menor sentido. Nas palavras que sinto em meu peito ficam muitas vezes trancadas sílabas sentidas, dores mal dormidas, mas também alegrias que não devem ser repartidas... Os sentimentos que deixo esorrer em letras, nem sempre corretas, nem sempre se acercam do que a realidade me desperta. Muitas das fantasias bailam sozinhas no armário, enquanto a madrugada desperta para o baile das estrelas nuas. Muito do que digo ou calo é, para mim, mais que vida... Tudo que sou e que penso é o que descubro no meu dia a dia, em cada pequena dobra de uma palavra desenhada em um papel gasto, ou novo se volto da papelaria... Palavras mal dormidas, bem sentidas, mal quistas ou malditas... Palavras que em minha boca se calam, mas que em meus dedos palpitam... Palavras são tantas, são tão vastas e intensas, que, na maioria das vezes, nem sei mais do que falo ou se me calo.... Patrícia Gomes Imagem: Noah Grey :::Desabafado
às 21:58 por Anna Karenina (Paty).
Domingo, Outubro 16, 2005 Quero estar ao teu lado e tudo pra isso quero fazer. Estar perto, mesmo que haja espaços maiores nos distanciando. Mesmo que seja uma existência inteira, mesmo que não saiba nada de você. Mas mesmo assim quero conhecer, chegar em teus limites, saber de tua profundidade. Ir além, onde ninguém conseguiu chegar, saber dos teus desejos e anseios mais profundos. Dissipar medos e amargores, fazer teus sorrisos brotarem soltos, como qualquer flor que brota na primavera, assim que ela desperta. Quero saber de cada pedaço seu que teima em se esconder, em fugir de mim, seja lá por que razão for... Porque o que quero mesmo é te fazer feliz... Quero mesmo, de verdade, descobrir isso tudo de mim... em mim... e por mim... Patrícia Gomes Imagem: David Maynard - Duality :::Desabafado
às 15:55 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Outubro 14, 2005 Não há Norte, Leste Sul ou Oeste que eu possa navegar para chegar a teu reino de sol e de magia. Para chegar até ele tenho que, também por meio de alguma magia, me transmutar em fada, fogo fátuo, Morgana, Circe, para, quem sabe, ter um pouco dessas mãos tão sábias a passearem pelo meu corpo acendendo a brasa do que me vai n'alma, aumentando a chama do que o corpo clama em altos berros e que rouca já nem suspiro mais... Ah!! Doce magia da música, das estrelas da lua e do sol... Traga até mim ou me leve de uma vez até o mestre que tocou tão suavemente o meu fino lençol de seda, que acariciou minha pele, assim como a este lençol, que deram o nome de alma.... Patrícia Gomes Imagem: Jennifer Madau :::Desabafado
às 12:34 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Outubro 12, 2005 Sou criança liberta Menina sapeca Moleca esperta Garotinha medrosa Moça disperta Mulher que espera não deixar a criança ir embora.... Patrícia Gomes Imagem: Mª de Lourdes (mamys!!!) clicando minha tattoo! :::Desabafado
às 12:04 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Outubro 11, 2005 Clamo em suspiros que roucos me escapam e rolam pelo vento, procurando teus ouvidos pra falar a eles que sou tua dama, tua puta tua cigana, em vermelho compasso de dança... Patrícia Gomes Imagem: Jennifer Madau :::Desabafado
às 18:34 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Outubro 10, 2005 Tenho uma impressão de déja vu, de já ter passado por muitas tardes como essa, que é lenta, custa a passar e se arrasta com o calor que gruda na pele, mesmo com a secura do ar. Tenho a impressão de que o que sinto por dentro é algo que já senti muitas vezes, mas ao mesmo tempo não quero acreditar. É loucura, pode ser, vai passar, vão me dizer, mas é o que digo sempre a mim mesma... Passa. Tenho a impressão de que o que virá pela frente é tão estranho como o que deixou de vir, como o que nada fez sentido ou fez demais... Tenho a impressão de que estou esvaziando, mas sei que tornarei a me encher, do que e como, como sempre, não sei... Tenho a impressão de estar com saudades... Seria mais um déja vu? Patrícia Gomes :::Desabafado
às 17:20 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Outubro 07, 2005
Num encontro silente você ficou a me olhar... Pensava nas minhas voltas, no perfil e nas curvas, mas mantinha em sua boca o silêncio tímido. Num momento raro, de uma dia pálido, você se aproximou, achando de me fazer elogios... Eu gostei, e me invadiu o corpo a surpresa. Nesse mesmo dia você se desculpou, pensando que eu poderia achar muita ousadia... Qual nada, foi a gentileza em pessoa... E se flores for me presentear? Ah, gérberas, sempre... sim lê-se jérberas... E quando elas chegarem, assim como você, o brilho já está estampado no sorriso que verás em meu mais tenro olhar.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 15:24 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Outubro 05, 2005 Porta que se fecha num vento abrupto... Que se tranca por dentro e a chave fica perdida no fundo de algum móvel velho e pesado.... Portas que se embaraçam no envelhecer do tempo que se deixam embaçar, descascar... Ahh, velhas tolas essas portas.... Há portas maiores, que se abrem e deixam o céu invadir o que está dentro... Iluminando cada fresta de canto, achando chaves perdidas lembranças esquecidas e sorrisos que antes amarelos tornam-se primaveris... Ahhh, essas portas sim, queremos tanto abrir, deixaremos escancaradas, seja para que passantes nos olhe ou para que entrem... Seja para o que for, mas simplesmente por sermos nós mesmas... Abertas ao mundo e a nós... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 02:16 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Outubro 04, 2005
Eu te chamo.... Eu te clamo e na segunda santa você me vem... Me chega desejoso, saudoso de mim e dos meus desejos, defeitos, das minhas qualidades e de meus sorrisos sem jeito... Ahhh, como é bom chegar à segunda e poder colocar em cartazes o meu desejo, o meu sentir, o meu calor por ti e deixar-me ir, com ou sem sandálias Que já não me dizem mais nada, porque te sigo como me quiseres, se quiseres ou até quando me quiseres.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 00:24 por Anna Karenina (Paty).
Domingo, Outubro 02, 2005 ![]() O domingo amanheceu com cara de chuva e agora o sol desponta querendo trazer mais alegria a essa cabeça já tão vazia... Vazia sim, mas não anti-pensante, se é que essa palavra existe... Não sei viver em linha reta, não gosto de retas... Será por isso que não gostei tanto de Brasília? Adoro as curvas, e sou assim elíptica, como uma sinoidal: hora estou no topo, noutras lá embaixo, vivendo tudo. Seria melhor estar na reta, no meio da sinoidal, mas eu não gosto de retas... Quero só o movimento que meu corpo às vezes me desmente e se tranca em seus armários de tantas chaves. Trancado, ele pode estar, fechado para balanço, esperando um descanso que nem sei se virá, mas sempre há algo que chega e o toca, que o faz se mecher, que deixa as palavras mais vivas e vermelhas nesse pálido corpo fechado... O que é? Nem sei ao certo e nem quero perguntar, pra não rotular, não esperar o que sempre se espera de um rótulo... Deixo ir.... Vou... Subindo e descendo em minha sinoidal.... E que assim seja.... Patrícia Gomes. Imagem: Alberto Pancorbo :::Desabafado
às 23:01 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Outubro 01, 2005 Onde estão os meus desejos sem razão que há pouco deixei aqui? Minhas palavras os procuram sem saber que rumo tomar, mas sem dizer nada muito alto, para não espantar. Será que eles têm medo? Do que haveriam de ter? Quem se arrisca sou eu, nunca os vi perdendo. Será que medram o fato de não se realizarem? Será? Meus olhos hoje se embaçaram tanto a procura de cada um deles e nada vi. Esconderam-se perfeitamente de mim nesse dia primeiro... Primeiro dia de quê? Para quê? Há dias tão sem sentidos ou será que são os desejos que já deixaram de fazer sentindo e não valem mais nada, nem o que eu peno que pode existir? Ah sim, melancolia, você está me martelando a mente com essa palavra hoje, posso estar sim, mas nunca escondi que sou. O que há de mal estar em um dia ruim? Qual a obrigação de sorrir para as paredes desdentadas que me olham fascinadas? Não vejo nenhuma razão nisso por enquanto. Mas alguma vez vi razão em alguma coisa? É certo que você vive me dizendo que não.. que sou a pessoa menos racional do mundo, mas e daí? Qual é o crédito em ser? Quem é que vive 100% feliz com ela? Quem é que se mantêm 100% protegido por ela? Ah quer saber, esse papo tá muito balela... Esquece e vamos dormir.... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 22:18 por Anna Karenina (Paty).
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