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Quarta-feira, Dezembro 28, 2005 Na brasa morna que O vermelho desenha Fogo Amarelo abrasa O corpo que Esfria Vibra o crepitar da Chama que acessa Clama Algo que se esvai Com a fumaça Fina Ventos sopram Esmaecidos e frívolos Desejos Boca desencantada De sorrisos baços Vãos... Patrícia Gomes Imagem: Charles O'Rear :::Desabafado
às 16:44 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Dezembro 23, 2005 PEDIDO Falo, com a boca que me pedes, as palvaras que gostaria de beijar-te. Beijo, em devaneios, teus lábios que ficam a brincar, em desenhos, em minha mente. Dispo-me, das roupas que me cobrem, numa brincadeira em que imagino teus olhos a uivarem em cada curva do meu farto corpo. Deito, nas palhas do desejo, o que sinto me aquecer a cada palavra que escapa por entre meus lábios sequiosos dos teus. Durmo em lençóis de sentimentos nada vãos enquanto busco, durante o sono, o calor do teu corpo a abrasar o meu... Patrícia Gomes Imagem: Howard Pylep :::Desabafado
às 03:26 por Anna Karenina (Paty).
Terça-feira, Dezembro 20, 2005 FLOR Chora a dor Em macia face Em delicada cor Em sutil detalhe Do amor foi o que ficou Amor perfeito.. Só se for a flor... Sorri o sol Dizendo baixinho Que a dor é um passarinho que logo deixa o ninho E amor perfeito Pode de novo Florescer... A Lua de pronto Serenando madrugada Diz ao longe Em prata suspiro Que a lágrima corrida É pérola colhida No coração do amor Que perfeito se tornou Que brota Como nova flor... Patrícia Gomes Imagem: Aluizio Derizans :::Desabafado
às 10:08 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Dezembro 17, 2005 ESSA TAL FELICIDADE Existem mil razões para ser feliz. E a felicidade nunca vem sozinha, traz sempre consigo um saco de presentes, é divina e comove com sua humanidade. Paz, amor, saúde são a base de seu banquete. E todas as receitas de felicidade estão certas: tem aquelas que levam dinheiro, tempo para namorar e dançar, outras pedem paciência em seu caldeirão, assim como paz própria e a do mundo... Felicidade também pede sexo em algumas receitas, assim como beijo e sorvete de chocolate.Felicidade não tem garantias e é uma obrigação de todos nós buscá-la sempre, mesmo sabendo dos riscos de se machucar pelo caminho. Todos nós precisamos de algo que nos incomode, que nos desafie todos os dias, que nos retire dos nossos comportamentos individualistas. Quando um encontro acontece, vejo o outro sempre como a "pedra no caminho", como nos versos do Drumond. É ela quem nos alerta, nos ajuda a reinventar a vida todos os dias. No entanto, idealizar que o parceiro é a fonte da felicidade tem dois lados ruins: 1) Quando se está só, a pessoa desvaloriza as outras muitas conquistas da vida, que são muito importantes também, e que passam desapercebidas. 2) E quando consegue alguém e o relacionamento atinge o ideal de felicidade, está fadado a perder, já que nenhum relacionamento é ideal eternamente, por mais que haja um querer. Não, o próximo passo nesse texto não é o de dizer como realizar o sonho de ser feliz em qualquer âmbito, ainda mais com relação ao amor. Como já disse acima, cada um tem sua própria receita. E acredito que a felicidade independe da maturidade, já que essa mesma maturidade pode ser uma das coisas mais chatas que essa nossa civilidade nos impõe. Felicidade é poder manter algo de quando tínhamos 5 anos de idade e não sermos taxados de infantis e debilóides, é a força bruta do desejo, que dá impulso para que tudo o mais se realize. Felicidade não é artigo de consumo, não há como transformá-la em remédio. Quando se gosta de alguém, a tendência é ficar mais vulnerável. Amar é suportar ser ridículo (como todas as cartas de amor!). A paixão pode ser chamada de felicidade, mas quando se transforma em um ideal de vida, fica supervalorizada e representa um perigo. Fica bonita no cinema, na literatura, mas é muito triste, pra não dizer trágico, na vida real. Daí personagens como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Aberlardo e Heloísa, Guinever e Lancelot... Morreram porque tentaram eternizar a paixão. Quando os envolvidos querem manter essa paixão intocável, quando não suportam a mudança ou algum tipo de interferência, acabam selando compromissos de morte, até a de si mesmo! Transformar o amor em remédio, por exemplo, é algo muito perigoso. Uma relação amorosa tem dois lados: o afetivo e o sensual. O afetivo é cuidado, segurança, companheirismo e por isso, repetição. Já o sensual é o inventivo, uso sexual recíproco e ainda tem um outro lado enigmático. Há sempre uma diferença radical entre dois parceiros: amor é o nome que se dá à ponte que recobre TEMPORARIAMENTE essa distância entre eles. Mas a diferença sempre irá se manifestar, é inevitável. Felicidade é tênue, um encontro provisório, não é standar, nunca é física. É, não há estrada certa para a felicidade, nem todos esses caminhos são tão simples de seguir, ela dá trabalho de ser conquistada, mas saber que existe e de seus possívei caminhos, que estão em nós mesmo, é mais do que reconfortante. E ser feliz sem razão alguma é o máximo, o supra sumo... Patrícia Gomes :::Desabafado
às 02:21 por Anna Karenina (Paty).
Quinta-feira, Dezembro 15, 2005 Assimétrica Entrega Pouso meus sentimentos Com delicadeza em uma Cama arrumada com os Retalhos da alma que viaja Por recônditos estranhos Em movimentos assimétricos Querendo encontrar pouso Em algum peito que a mantenha Cativa e aquecida... Na madrugada que se avizinha Atiro para o céu meus sorrisos Ensandecidos de pura e Sã alegria. A solidão que, negra, explodia Em fagulhas acessas afoguei No mar banhado pelo luar que Despede-se do breu com um Prateado olhar... Amanheço com o dia sorrido Para a vida que brilha, em Suas possibilidades, como o Sorriso felino da menina Alice E assim, entre uma espiadela No espelho e toda viagem fantástica Entrego-me à vida... Patrícia Gomes Imagem: John-Francis Bourke :::Desabafado
às 22:53 por Anna Karenina (Paty).
Quarta-feira, Dezembro 14, 2005 FARTOS DESEJOS Assovio teu nome enquanto minhas mãos te tateam cegas de desejo e volúpia. Desejos de sentir teus beijos a escorrerem por minha pele, ardendo em meus lábios enroscando-se em minha língua que se sente menina e como mulher de fartos desejos entrega seus lábios todos ao teu mais querido deleite... Patrícia Gomes Imagem: Ansgar Photography :::Desabafado
às 14:55 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Dezembro 12, 2005 Quanto tempo demora para contigo estar? Quanto tempo demora para sentir tuas mãos em meu rosto, me desalinhando? Quanto tempo demora essa vontade insana de me perder em teus beijos? Quanto tempo demora para passar esse vento doido que me trás teu cheiro? Quanto tempo demora para passar as horas, os dias todos os meses e suas estações? Quanto tempo demora para toda essa ausência passar e, finalmente, em teus braços poder me aninhar... Patrícia Gomes Imagem: Doru Cristache :::Desabafado
às 22:50 por Anna Karenina (Paty).
Sábado, Dezembro 10, 2005 ![]() No que se acostumou chamar por final, te vejo partir para uma certa distância que não queria saber, muito menos sentir. Te recebi assim, sem me importar muito com o que poderia vir a ser, mas já não penso assim, porque sei o que se tornou. Nessas madrugadas, me perco sem saber o que fazer com a ausência que teima em me deixar acordada, mesmo quando o mais certo seria adormecer direto, até o início do que eu quero, do que penso, do que falo, mesmo em momentos de silêncio cortante. Caranguejam dedos em palavras que nada podem dizer, mas que transbordam de um sentimento tão cheio, tão forte, que, muitas vezes, me calo sem poder dizer o que me escorre pelo corpo, mente, e que chora noite afora, em um céu banhado pelo que chamam de chuva fria. Patrícia Gomes :::Desabafado
às 01:40 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Dezembro 09, 2005 T ASSOCIO Apodera-te de todo meu cheiro de tangerina... Como traquina criança pinta na tela do meu corpo branco o teu tema trasgo; E em minha fantasia sinto teu olhar me tagarelando o peito enquanto o meu, traslado do teu, retrata o turbulento caminho para o túrgido corpo teu. No ar sinto o perfume suave que escapa de prata turíbulo incensando a noite que, turva, toma o desejo de tê-lo... Em descarrilhado trem perco o governo de meu próprio todo e, como um tambor na mata, bate forte meu corpo no transbordar do sangue nas veias E toda tara se disfarça de semente E só tenho em mente a tua em meu ventre que, em cálice, oferta-se a ti... Patrícia Gomes Imagem: Aliosha Romero :::Desabafado
às 00:11 por Anna Karenina (Paty).
Segunda-feira, Dezembro 05, 2005 Ninna estava despreocupada, jogada em sua cama, assistindo pela milionésima vez o filme Fabuloso destino de Amelie Poulain. Ela se identifica inteiramente com a personagem, até mesmo em suas viagens psicológicas e pra lá de surreais. Mas o som estridente do telefone a tira de sua viagem. Quem poderia ser a essa hora? Já passava das 23:30! - Oi. - Ninna??? - Sim, quem é? - Olá Ninna, sou eu, Maurício, tudo bem contigo?? - Mauricio??? Maurício Pádua??? - Sim, sou eu, não reconhece mais a minha voz? Ninna não podia acreditar. Fazia mais de um ano que não tinha notícias de Mauricio, seu ex-namorado, que a deixara depois de dois anos de namoro pra se casar com a melhor amiga de Ninna! O que é que ele poderia querer com ela há essa hora? - Ah! Pois é. Não reconheci mesmo! - Há algum tempo que não nos falamos, né? - Pois é. Desde o seu casamento! E por falar nisso, como vai a Marlene? - Ah... Bem, eu e a Marlene nos separamos há uns seis meses! - Oh... Sinto muito! - Mas que diabos... Essa ligação não estava cheirando a coisa boa. - Não sinta, Linda! Estou muito melhor sem ela. - Que bom pra você! Bem, mas, porque está me ligando em plena sexta às 23:40 ?? Se eu me recordo bem, você sempre adorou sair na sexta, e agora deve estar mais livre! - Ah, é que bateu uma saudade de você. Das nossas noites juntos, de fazer amor com você. Ahhhh, nunca tive uma parceira como você, Ninna. Você sempre foi uma delícia na cama... Não é a toa que eu te dei o apelido de delíc..... Não, não pode ser, isso não está acontecendo comigo...Foi um delírio surreal, influência do filme. O telefone não tocou e eu não recebi ligação nenhuma. Pensava ela. Ninna estava se sentindo indignada! Tentou voltar ao filme, mas o telefone tocou novamente. Ia deixar tocar, mas resolveu atender no final do quarto toque. - Alô! - Oi Delícia... A ligação caiu, né... - Não, a ligação não caiu. - Não??? - Não Maurício, eu desliguei! - Mas.. Mas porquê??? Te escolhi pra ficar comigo essa noite... - O quê?????????? Você me escolheu????? Ahhh!! Não brinca que você está me dando a honra de ficar com você numa sexta à noite!!! Quer saber, você é um cretino filho da mãe, acha que eu sou o quê, em??? Uma boneca inflável que você guarda no armário e que a usa quando quer???? - Nãooo, clar... - Vai pro inferno, e não perca mais o seu tempo se lembrando de mim, pois pra mim você está cremado há mais de um ano! - Mas... Tum tum tum........ Patrícia Gomes Imagem: Coordina Tion :::Desabafado
às 03:50 por Anna Karenina (Paty).
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005 Meus braços despi Com vontade de me vestir em teus pêlos Meu colo expus para que nele deitasse em segredo tua face Minha nuca mostrei para que teus beijos demarcassem teu recanto Num sorriso entreguei despudoradamente minha (c)alma desarmada No beijo inventado bebi teus segredos e misturei nossos desejos No corpo doado segredou à pele o suor apaixonado No olhar explodiu em fagulhas de fogo o gozo de nós dois... Patrícia Gomes Imagem: New Image J.G. :::Desabafado
às 04:07 por Anna Karenina (Paty).
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