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Sexta-feira, Abril 28, 2006 Dizem que a alma é eterna, mas a desse sonho parte hoje, deixando um cheiro de adeus no ar, um sorriso em agradecimento a todos que por aqui compartilharam comigo sorrisos e lágrimas... A quem quiser manter contato, deixo à disposição o meu e-mail: patuska@gmail.com ... Adeus!!!! Patrícia Gomes Imagem: Amilka :::Desabafado
às 18:23 por Anna Karenina (Patuska).
Sábado, Abril 22, 2006 Hoje não é preciso Na pergunta que brota em tom alegre e festivo Há uma dubiedade que encanta: Porque tristes Somos mais poetas que quando alegres?... No sorriso que me borda os lábios sinto que À flor-da-pele a alegria se faz solo fértil, e felizes Flutuamos e não sentimos tanto na pele, que é jardim, Os espinhos de toda rosa que se despetala em carícias Mornas e dolentes de mãos que nem sempre sentem... Exposto em mote os sorrisos falam tão mais alto, Mais claro que toda e qualquer palavra já proferida E as feridas se fecham sem tempo de ser sangria Por isso o porque de não ter o que dizer, nem vontade Não queres ter que escrever nada, hoje não!!! Para que, se o tempo de dizer é pretérito e se faz Presente desenlaçar os sentimentos do feliz dia que Apenas brota em olhos que se fecham para que bocas E mãos se aderem em um momento que pode ser Mais do que muito tempo no breve espaço de amar... Patrícia Gomes Imagem:Claire Artman :::Desabafado
às 16:46 por Anna Karenina (Patuska).
Quarta-feira, Abril 19, 2006 NÃO COMO... Eu não como Não provo palavras Postas em pratos Disparatados e floridos Não aprovo o gosto Adocicado e falso dos Sorrisos em pétalas murchas Desfolhadas de sentidos Em travessas e baixelas Servidos na noite quente De bocas desdentadas Patrícia Gomes Imagem: Recebida por e-mail do amigo Druída. :::Desabafado
às 01:15 por Anna Karenina (Patuska).
Quarta-feira, Abril 12, 2006 REFLEXO A QUANTRO MÃOS Mergulho em meus olhos em Busca de um nome... Ando mergulhada em espelhos em busca de um nome que não é mais o meu, pois este está bem registrado em 9 luas e tantas quantas estrelas eu possa enxergar. Falta um nome para assinar junto ao meu, mas já se foram tantas letrinhas, que eu não sei quantos alfabetos eu poderia montar em tantas línguas, que eu até desconheço... Mergulho, então, no espaço opaco, embaçado de noite outonal, e busco as estrelas gêmeas. Quem sabe Centauro me mire e as lance pra mim, e nessa união traga o nome certeiro, a voz que reverbera e que não dilacera a carne em dor, mas que a arrepia em prazer, como se asas de borboletas acariciassem a minha pele, tatuando o nome que tanto espero... E enquanto espero borboletas não me roçam mais a pele que o estômago e revoam por todas as minhas lacunas tatuando alfabetos de estrelas bastardas, enquanto Centauro não consegue me acertar. Busco ainda Três Marias, mas estas ainda se mostram duas e eu a querê-las três e quem dera seis, refletidas em meu espelho. Ah, bendita voz que não reverbera mais dor que esperança e digita arrepios em meus ossos, transcendendo a carne em espera e acariciando o meu umbigo, como a me lembrar que preciso renascer em esperança de tempos em tempos... Jogo-me novamente de peito aberto num mergulho insano e inevitável e então nasço outra vez em esperança e novidade. Calo os gritos que tentam verter dor e busco o ar menos pesado, a chuva menos fria e o sol menos abrasador, mas sempre em busca do nome que se ajuste à vera em mim e bendiga dias sem sofrimentos escusos, inúteis e sem sentido. Dias que eu procuro limpar como se esta espera fora apenas uma mancha em meu reflexo no espelho. Estrelas gêmeas em espaços opacos, tão embaçados quanto os outonos que derrubam uma cama de flores e folhas a meus pés... Desnudo inverno traz a brisa seca que cobre de branco leitoso o ar do dia que escorre entre lavas que os veios do sol deixam escorrer em meus sonhos pálidos de tanta realidade exposta. Na noite escura que já se recobre de rosa, por ironia ou apaixonado deboche, as Dalvas, Marias, Alfas e Betas já não bruxuleiam com a intensidade que busco, nem se quer permitem que reverbere um único som, quanto menos se atrevem a revelar o segredo do nome que anseio, que carrego no ventre, como semente madura a espera do pedaço fértil que a fará germinar em terrenos que de dois se tornará mais que seis... Então desconhecendo meu nome, deixo que escorra de mim o leite, a lava, a lágrima. Deixo o colorido riscar sonhos no espelho pálido e sem sol, eternamente desnudo e invernal, até que meus sonhos sejam mais que realidade. Não me apego ao piscar das estrelas, mas não esqueço principalmente das minhas Marias, que são apenas uma para mim e de Centauro a mirar-me e eu aguardando ser acertada e carregar enfim no ventre este fruto ainda semente, que a noite rosada trará em sextetos para mim. Aprendi a esperar, mesmo sem certezas e a acreditar, mesmo que eu não deva. Aprendi a calar e a não deixar que irônicos deboches tirem a esperança que deposito nos céus... Mergulho outra vez no espelho e sigo o vácuo das lembranças, esperançosa de que não seja dilacerada, ao tatuar o nome que se ajuste à minha busca... Patrícia Gomes e Daniela Novais Imagem: ImageBank :::Desabafado
às 19:12 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Abril 10, 2006 ![]() A noite está lá fora me olhando, como se eu fosse um sol que se expandisse no olhar de cada estrela que também me espia curiosa. Não temo a noite, porque ela deixa que a insanidade me percorra salvando-me da minha sanidade irrestrita e de meus pensamentos que me gritam a cada silêncio que tenho nos cantos da mente. Não a temo, pois sei que se a temer ela me tragará inteira e não quero ser totalmente possuída nem mesmo por ela. Só temo que em minha fuga esse medo acabe por colar-se em minha pele, como uma cicatriz, que me queima a carne me fazendo sangrar como a chuva que eu gostaria que estivesse caindo lá fora. Uma chuva púrpura que escorregasse por meus pensamentos, me lavando da mente, me tirando de dentro de mim e me deixando flutuar leve pela noite que escorre leitosa do meu ventre maduro. Não procuro mais entender o que sou ou o que não desejo. Quero poder olhar-me no espelho, mas não perder-me nele... Patrícia Gomes Imagem: Imagebank :::Desabafado
às 16:06 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Abril 03, 2006 DA TUA MORADA Modelo tuas pernas com o barro Da firmeza que reina Na vontade de todos os deuses. Tuas mãos modelo com a Força dos bons pensamentos De tão raros deuses. Desenho tua boca, não com o Tom da ambrosia, a favorita De todos os deuses, mas com A cor quente da canela que desejo. E teus olhos fulguro com o Brilho do entardecer, ilumino Com o bruxulear das estrelas E deixo o negrume da noite Inundar, divinamente, os meus... Não te destino o Olimpo como morada, Assim como todos os deuses, Porque quero livre teu coração, Como o de um pássaro solto No amplo espaço.... Sendo assim, te desejo o Céu aberto como morada E em tua mente, divinamente sussurro Meu nome, para que em mim Sempre procures pousada... Patrícia Gomes Imagem: desconheço a autoria :::Desabafado
às 23:22 por Anna Karenina (Patuska).
Sábado, Abril 01, 2006 INCOMPRESSÍVEL Liquefaço-me em nascente cristalina E pela correnteza me deixo ser rio. Navego-me entre pedras, alimentando As margens com idéias e pensamentos Colhendo delas direções a percorrer... Em lagos olhos deixo a chuva escorrer Alagando mangues de solidão, lavando Dias como chuvas fortes e rápidas de verão. Na corrente dos dias mergulho em açudes Rudes de seca fome de mudança... Faço-me afluente e na fluência ouço os Que me navegam respeitosos e mudos. Meu curso rápido, sedento de mais planos De infinito rumo que quero e não me Atrevo a encontrar tão depressa na ironia Desejo de fluir entre mundos ilimitados, Pesadas pedras ensaiam encurralar limitando Mundos que procuro inumeravelmente... Mas ceder é algo que não me navega e em força Bruta, arguta rebelo-me em golfadas e em Espuma branca que principia, rasgo novo destino E no correr da alvorada no sorriso explicito Oceano-me! Patrícia Gomes Imagem: Free - Corbis :::Desabafado
às 00:20 por Anna Karenina (Patuska).
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