Não Apresse o Rio.. Ele Corre Sozinho
..." agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão. ....Escrevo por acrobáticas e áereas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio." Clarice Lispector.

Retrato Desabafado
Nome: Patrícia Gomes
Idade: 33 anos
Niver: 04/02
Signo: Aquário, com ascendente em gêmeos e lua em peixes...
Apelidos: Paty, Patuska, Fifi, Dori,Sempre Viva, Le Fey...
Gosto de: Vinho, MPB,Poesias, Internet, Fados, Ler, Escrever, Sorrir, Chorar,Verdade,Desabafar, Velas, Banhos no escuro, Chuva, Amigos...
Não Gosto de: Mentiras, Hipocrisia, Falsidade, Intolerância,Desculpas esfarrapadas,Inveja, Orgulho, Preconceitos..


Nome: Paty
Signo: Fogo
Profissão: Sonhadora
Gosta de: Respeito, Desejo, Força, Sedução, Olhar, Beijo molhado, Vinho e de Velas.
Não gosta de: Burocracia, Falsidade, Inveja

Paty é mulher rara, destas que quando se encontra, vale como prêmio de loteria. Ela não precisa muito pra se fazer notar. Seus olhos, seu corpo, sua energia se comunicam por ela.
E pra quem acha que acabou, esperem até a moça falar. Paty seduz com o corpo e com a mente. Mas Paty não mente. É sincera. Assusta. É mulher incomum, por vezes delicada, por vezes fêmea no cio. Paty é tudo isso e muito mais. E o melhor: Paty é de verdade.

Vista pelos olhos do Lobo






.:Companheiros de Desabafo:.

Ar de Amor
Embrenhada
Ensaio Geral
...Giramundo, Gira Eu, Girassol...
Louco de Lisboa
Magro de Natal
Maternidade do texto
O Náufrago
Pela Estrada
Politicamente Incorreto
Sin to win
Vergonha do Pé




Desabafos Passados




online




Sábado, Setembro 30, 2006




ADORMECENDO ALVORADA


Vejo pela fresta da janela que o dia já despontou... Escuto o despertador da minha mãe que toca sem parar, tentando despertá-la do sono profundo. O que ela sonha? O que espera de mais um dia de uma rotina que nem há previsão de ser quebrada? Acho melhor me dar um tempo também e tentar acordar nos braços de algum deus do sonho, porque acho que Morfeu deve estar muito ocupado com outras e, a essa hora, ele deve estar indo adormecer... Vestida de dia, deito-me em minha cama fria e tento fixar o pensamento na luz suave que atravessa a cortina escura... Ouço os movimentos da casa, que acorda juntamente com minha mãe. Tudo parece criar um outro universo, enquanto permaneço nessa minha concha que é o meu quarto. Nele permaneço, sendo embalada pelos sons novos, pelos cantos dos pássaros que ainda resistem em cantar á minha janela... Até mesmo uma coruja displicente se atreve a piar, me deixando com mais pensamentos bobos na mente. O que ela faz ainda parada em algum muro ou galho a essa hora da manhã? Será que espera que alguma sábia a pegue e a leve de volta ao Olimpo? Com certeza não serei eu a encaminhá-la à sua tão sonhada morada...
Mal levo a mim mesma pelo caminho.

Patrícia Gomes, no pretenso Águas Turvas.
Imagem: Bruno Miniati

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Sexta-feira, Setembro 29, 2006




TEMPO AO TEMPO

Preciso de um tempo...
Um segundo
Dez minutos,
Um dia,
Cinco anos talvez?
Não sei,
Só sei que preciso de tempo...
Para que?
Ainda não consegui definir,
Nem cheguei a pensar muito
Vai ver que o tempo
Que preciso seja pra isso..
Ou pra algo que desconheço
Mas enfim...
Vou me dar o tempo que preciso...

Patrícia Gomes
Imagem: Abelardo Morell

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Quarta-feira, Setembro 27, 2006




CALA

Palavras saltam de meus lábios
Tão roucas quanto suadas
Palavras me dizem o que quero
E o que já não sei dizer
Será que soube, de verdade,
Dize-las em bom tom alguma vez?
E se não soube, você também entendeu?
Palavras me faltam nessa hora em que
A falta me cala e amansa de uma
Forma negra que não quero...
Estrangulo palavras em minha garganta
Antes mesmo que pretenda usa-las
Porque não quero dizer, nunca,
O adeus que mata o sorriso em minha boca
Que escorre, morna e salgada em minha face
E que torna dolorida a lembrança de
Tantas tardes e madrugadas de cumplicidade...
Cale-me agora essa idéia que machuca
E grite a palavra ao longe e me traga
De volta ao mágico reino de sorrisos nossos...

Patrícia Gomes
Imagem: Nebu

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Segunda-feira, Setembro 25, 2006




DA SENHORA NA CALÇADA...

À calçada desenrola o
Novelo de linha
Enquanto ¿crocheteia¿
As margens do pano
Que delicadamente bordara...
Suas costas continuam
Voltadas para a rua
E meu olhar não consegue
Mergulhar no seu.
Dessa vez não saio remoendo
Pensamentos à cerca dela,
Atravesso a rua num rompante
De coragem poética e absurda
E recebo um sorriso meio tímido
Ao me mostrar, de pronto, o
Delicado bordado que fizera.
Sorrio de volta e com ele
Muitas perguntas se somam em mim...
A senhora tem um jeito estranho de olhar,
Parece que perscruta a alma e desvenda
Cada interrogação que deixo em reticências.
Ela me sorri novamente e me diz que
A vida não é um bordado fácil, muitas vezes
Erramos os pontos e temos que desfazer, mas
A marca ainda fica no tecido, então faz-se
Mister o cuidado em não errar, e se o fio
Se embaraçar, mais cuidado ainda para desfazer
Cada um dos nós...
Sorri e me despedi, vendo as linhas da minha vida
Em novas cores se movendo no tecido fino e
Raro que escolhi para me tecer sem fim...


Patrícia Gomes
Imagem: John and Lisa Merrill

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Sexta-feira, Setembro 22, 2006




TRAVO

De minha boca escorre o azedo
Gosto de um negro estranho...
Meus olhos salgam a face num
Chorar úmido e quente enquanto
Um frio arrepio percorre a pele.
Não, não vou mais dizer o que me
Cala a alma, nem tentar chorar
O que pode aliviar o coração...
Chega!
Quieta me ponho a observar o escuro
Chegar tão perto e me acarinhar,
E num canto soturno a embalar a
Dor e a sorrir de mim...

Patrícia Gomes
Imagem: One Photo

:::Desabafado às 19:08 por Anna Karenina (Patuska).
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Quarta-feira, Setembro 20, 2006




NO TEU COMPASSO

Em teus olhos leio
O desejo que salta
E arrepia minha pele
Tuas mãos, ao tateá-la
Eriçam ainda mais o apetite
Que deixo saltar à vista
De meus lábios secos...
Umidifica-os com teu beijo
Quente e urgente e com
Teus dedos sentes em minha
Carne tenra a umidade que
Brota entre os lábios guardados...
O teu toque me estremece as
Pernas, que bambas, já não sustentam
O corpo que pulsa num frenesi e busco
Apoio no teu, me encaixando
Em tuas curvas enquanto teu hálito
Faz quente a minha nuca...
Meus seios túmidos se entregam
Á tua boca que os sugam com deleite
Enquanto me agarro aos teus cabelos
Lançando gemidos roucos pelo ar...
Na pele, que morna transpira, deixas
O rastro de tuas mãos libidinosas, que
Fazem festa na curva de meu quadril.
Procuro me encaixar ainda mais ao teu,
Mas nesse balé, só obedeço...
Tua vontade forte me vira e teus dentes
Se cravam em minha nuca, enquanto
Pulsa em minhas ancas, o teu sexo forte.
Não há mais rumo agora, muito menos
Norte ou qualquer direção que seja certa...
Tua língua em minhas costas excita
Enquanto teus dedos hábeis se misturam
Aos meus humores mais quentes e descobrem
O grelo intumescente que deseja mais...
No arco que fazes com meu corpo, já não vejo
O que advém, mas sinto a língua em recantos
Que não me permitem o império do silêncio...
E num gemido tímido que se atreve a fugir
Deixo claro minha urgência em te sentir...
Já não há rédeas para o desejo e sinto forte
O pulsar de teu falo em meu sexo e num
Estrondo, de gemidos loucos, faz-se gozo
O balé dos corpos ardentes...

Patrícia Gomes
Imagem: Shift Photo

:::Desabafado às 14:04 por Anna Karenina (Patuska).
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Segunda-feira, Setembro 18, 2006




SOLICITAÇÃO

Procura-me
Apareço-te
Busca-me
Mapeio-te
Encontra-me
Reconheço-te...


Patrícia Gomes
Imagem: Elisa Lazo de Valdez

:::Desabafado às 10:29 por Anna Karenina (Patuska).
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Sexta-feira, Setembro 15, 2006




BABEL


Nas palavras que digo em dias assim, sinto que deixo vazar algo que foge a compreensão, não sei dizer ao certo se digo sem compreender o efeito que podem surtir ou se elas é que não são entendidas da forma como as modelo. Tudo fica baço, e eu falando, falando e quanto mais falo mais me perco nessa Babel que não sei se sou eu mesma quem crio ou se me transportam a ela.
Palavra é vida, depois de soltas não retornam ao seu local de origem... Isso é fato, mais que consumado, mais que dito popular e bíblico. Mas o que fazemos dessas nossas palavras lançadas, tantas vezes ao léu? Será que apenas brincamos de usá-las ou estamos nos deixando desavisar de seus significados, de sua força e de sua real vocação?
Há muito tempo que tenho me deixado divagar sobre esse assunto. Percebendo que a cada dia palavras são usadas e trocadas sem que, quem as solte, e eu não fujo à regra, não se apercebe do real poder que elas têm...
Peço desculpas, a quem de direito, eu tenha tocado de forma errada com algumas de minhas muitas palavras e também agradeço a todos que as colhem e me retornam com as suas...
E mais algumas palavras ficam por aqui, por já não saber se continuo a divagar ou se vou devagar...


Patrícia Gomes
Imagem: Pieter Bruegel - Torre de Babel

:::Desabafado às 10:07 por Anna Karenina (Patuska).
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Quarta-feira, Setembro 13, 2006




ENCANTO

Em algum canto perdida
Acho-me e encanto não destaco
De meu mutismo que a esmo
Muda enquanto me transmuto em canto
Que nem sempre se harmoniza
Com a encosta que me deixo arrimar
Enquanto o frio úmido me relembra
Às costas que me devo encantar
Já que habito multidões...
As contenho em mim...

Patrícia Gomes
Imagem: David Ho

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Segunda-feira, Setembro 11, 2006




DESCAMINHOS

Não, já não me envergonho de ser
Meiga, muito menos de não procurar
No amor caminhos que ele não tem...
Nesse inverno que se aproxima tímido
Escorro a primavera em meus cabelos e
Banho de flores meu corpo que faço trilha de
Desejos vivos e ricos em humores que brotam
Da terra viva que cultivo em mim, que cede
À desordem do meu espírito que se rende a
Sacralidade deliciosa do caos que é amar...
Não me interessam, e acho que a mais ninguém,
Sentimentos explicados e decifrados em
Códigos simploriamente óbvios, enquanto
Tudo o que há para se conhecer do amor
É a fascinante aceitação de que ele é a
Divina graça de estancar o que aprendemos
E demos o nome de tempo...
Já não tenho vergonha de ser meiga, doce
Pois em fome voraz amo e me entrego...


Patrícia Gomes
Imagem: Olhares.com

:::Desabafado às 11:28 por Anna Karenina (Patuska).
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Sábado, Setembro 09, 2006




ASAS...

Nas máscaras que retemos
criamos asas soltas...
Nas asas que crescem,
deixamos soltas nossas faces
nem sempre tão secretas,
nem sempre despertas.
Muitas asas se perdem no
esquecimento de nós mesmos,
mas quando a maioria se liberta
podemos sentir que nos
tornamos inteiros...
Com só um par de
asas abertas...

Patrícia Gomes
Imagem: Axentric

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Quarta-feira, Setembro 06, 2006




De repente... Falando em saudade...


Bateu de repente uma saudade... Algo assim, meio triste, meio salgado e úmido...
Algo que não arde, mas deixa um rastro de fogo na pele e parece não haver nada que sane, nada que cure.
De repente bateu o bumbo sem nexo da vontade de deixar aqui, pra você, algo que lhe mostrasse o frio que deixou ao partir. O que era primavera tão cedo invernou e nem a chuva chegou, para umidificar esse corpo que chora desertos...
Mas é assim, o bumbo toca, a saudade aperta, mas de repente uma réstia de sol descobre uma fresta na janela e devagar vai inundando de luz o que era cinza e de manso sorrisos brotam com o prenúncio de um verão um tanto quanto mais úmido e fértil...


Patrícia Gomes
Imagem: Decrepitude

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Segunda-feira, Setembro 04, 2006




RUMO À BARBACENA

Tum tum
Tan tan
Corre, lá vem o trem
Vem chegando e já
Vai partindo também
Vem de Barbacena e
Em cena sem barba ele
Retorna com mais de cem.
Janela tem grade que
Quadricula o sol, parece
Coisa de doido ver sol
Assim, quadrado, quando
Quase todo mundo diz que
O tal rei é dourado e redondo.
Sem a máscara que ficou perdida
Num canto embaixo da cristaleira
[Porque eles insistem em chegar
Amarrando e dando espetada ]
Arde a outra que se mostra
Verdadeira, insana, vai saber!
No trem pra Barbacena já
Não se pergunta mais nem o porquê.
Tum tum
Tan tan
Vai chegando o trem
Em recepção, rosas exalando
Um perfume estranho: mofo
Espinho que fere e sangra.
Mas nem tudo é estranho,
Há banhos de sol em dias frios
Todo mundo amigo, se tocando
Ao natural, comparando ¿biláus¿
E ¿xanas¿ expostas, mas o que é
Isso tudo afinal?
Um cerimonial que nem mesmo
Erasmo escreveria em seus Elogios...
Mas ficamos piores a cada dia
Pois ainda pintamos e dizemos
Em palavras já tão estranhas
Como é mesmo que dizem?
Leituras do inconsciente!
Que bando de doidos esses...
Mas assim fomos levando
Tanta gente diferente que
Pra não se sentir diferente
Embarcava na mesma viagem
Todos juntos, querendo ou não
No trem de doido rumo a Barbacena...

Patrícia Gomes
Imagem: Arthur Bispo do Rosario - Planeta paraizo dos homens

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