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Quinta-feira, Maio 31, 2007
A FACE QUE BUSCO Na noite escura ela busca... Não um corpo nu que se deite ao seu lado. Ela deseja um rosto... E que este rosto esteja iluminado pela nudez do corpo. Que nele ela possa ver a eterna Interrogação que é o amor. Quer buscar nele as imperfeições, Não quer a facilidade de amar um ser perfeito... Quer uma criatura imperfeita, que Quanto mais imperfeita for, mais humana é. Ela não deseja possuir um corpo Deseja o rosto... E que este rosto lhe ofereça um corpo Como prova de seu amor... Patrícia Gomes Imagem: Pirifool :::Desabafado
às 10:45 por Anna Karenina (Patuska).
Terça-feira, Maio 29, 2007 DISFARCE Cê me inspira respiro-te Cê me assopra assombro-te Cê me quer amo-te Cê me encanta disfarço-me em palavras soltas num papel onde a poesia não se acaba... Patrícia Gomes Imagem: Aga Mróz :::Desabafado
às 14:35 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Maio 28, 2007
COMPASSOS De qual aresta do mundo surges diante de mim? Em qual mar de olhar vistes meus olhos e desenhastes meus sonhos? Como posso tocá-lo, se nunca o encontro... Nos picadeiros oníricos dançamos juntos num balanço suave onde o Compasso não era ditado pelas mãos precipitadas do tempo... Mas soava suspenso como sussurrado pela brandura De nossas mãos entrelaçadas. Danço em nuvens cálidas, procurando teu compasso mas Perco-me na melodia do dia que zomba do meu bailar desajeitado... Mergulho na harmônica da noite em busca de teus Passos que deslizam suavemente por detrás dos raios lunares Brincando de buscar-me com um ofuscado olhar. Ignoro as estrelas que bruxuleiam ruidosas Querendo de ti me distanciar ainda mais. Mergulho no mar risonho, que entre espumosas ondas Sorri malicioso da minha procura, pois saberá me dizer de você... Afundo em minha busca, para encontrar o meu olhar no teu espelhado. Submersa, encontro-me diante do meu olhar que reverbera Da luz do teu sorriso que irradia o meu... Surpresa, sorrio teu beijo, enlaço o teu abraço brumoso E me entrego a mim, pois é só aqui que poderei encontrá-lo... Patrícia Gomes Imagem: Lois Greenfield :::Desabafado
às 14:19 por Anna Karenina (Patuska).
Domingo, Maio 27, 2007
WORKAHOLIC Do teu corpo apenas vislumbro a forma que teu terno, sempre escuro, ao meu olhar, me deixa imaginar ao despi-lo em meu piscar. Das tuas madeixas não sei a textura, só o matiz que me invade os olhos e me deixa dormente Numa ânsia de entrelaçar os dedos num cafuné sem fim. Na tua farta boca que se mostra desinibida e sensual me deixo hipnotizar olhando, por horas, ela tão linda e sonhando com o seu doce sabor em todos os meus lábios... E de tuas mãos firmes e ágeis, pois assim as imagino sinto o calor que pode emanar a cada toque que imagino sentir ainda mais quando me desliza a pele e me aperta o seio, como se fosse seu... Patrícia Gomes Imagem: Marcin Klepacki :::Desabafado
às 15:02 por Anna Karenina (Patuska).
Sexta-feira, Maio 25, 2007
TRAIÇÃO Minha infidelidade É sacralizada pelo desejo Pela gana de viver e Sentir a liberdade pulsando Em cada batida que ouço Soar do meio do peito... Sem culpas ou remorsos E com sorrisos felizes Eu a traio! Traio sim, ainda porque A solidão não merece Consideração! Patrícia Gomes Imagem: Lamia Ell :::Desabafado
às 13:33 por Anna Karenina (Patuska).
Quarta-feira, Maio 23, 2007
BOCA DA NOITE Passos percorrem-me calmos e suaves como se a pluma da lua deslizasse por meus olhos abertos para a noite que acorda depois do dia longo... Mãos afagam-me, como se fosse o líquido fresco que desce a montanha timidamente, na tarde que entorpece o laranja do dia quente, num rosa dormente.... Olhos desnudam-me, como se fossem pétalas de fogo o que trago pelo corpo manso, largo... Bocas sugam-me como se o néctar vital escorresse da lua vazia, prateando a cama larga com urgência em ser absorvido. Sigo os passos marcados da lua que deixou meus olhos abertos na noite nua.... Escorro por entre as mãos da frescura que desceu da montanha, tornando rosa minha mente... Incendeio-me quando dispo cada pétala que recobre o corpo seco, farto, vivo que carrego comigo... Escorro por entre a boca da noite, expondo meu ventre à sua semente... Patrícia Gomes Imagem: Lamia Ell :::Desabafado
às 11:16 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Maio 21, 2007
ASAS Nas máscaras que retemos criamos asas soltas... Nas asas que crescem, deixamos soltas nossas faces nem sempre tão secretas, nem sempre despertas. Muitas asas se perdem no esquecimento de nós mesmos, mas quando a maioria se liberta podemos sentir que nos tornamos inteiros... Com só um par de asas abertas... Patrícia Gomes Imagem: Axentric :::Desabafado
às 16:06 por Anna Karenina (Patuska).
Domingo, Maio 20, 2007
TUAS BRASAS Meu corpo dança lânguido em brasas acesas que seu desejo deixou espalhar por meu caminho. Minha mente delira louca no eco de palavras que luxuriosamente soltavas em cada curva do meu corpo. A boca sedenta de beijos arfantes e adocicados que só tua boca louca de desejos sátiros sabia depositar. Os gemidos roucos a banhar o ar e arrefecendo o desejo dos que próximos sentiam o rufar da respiração amorosa. O tremeluzir do corpo suado entre as mãos habilidosas que nele brincavam sem pudores e com todo langor... Ah... O gozo se expandindo na mente, no corpo e na voz Ainda não suplantava o brilho que deixava em nosso olhar... Patrícia Gomes Imagem: Paulo Cesar :::Desabafado
às 22:45 por Anna Karenina (Patuska).
Sábado, Maio 19, 2007
TANTO E, AO MESMO TEMPO, TÃO POUCO... Há tanto o que dizer, mas nesta minha ânsia de tudo falar e nada esconder, eu me perco. Perco-me em convenções que não me dizem nada. Digo o que sinto da forma que aprendi comigo mesma. Entendam-se ou não... O que posso fazer? Quero muito que entendam e que assim possam me ajudar a entender também! Parece mentira, eu sei, mas aqui da janela do meu quarto eu vejo pirilampos... Vaga-lumes piscando ante meu olhar atento... Embriago-me na espera de que cada um pisque na sua vez... Eles me fazem lembrar do brilho do olhar, do sorriso. Fazem-me querer falar tudo o que vai em mim. Mas por mais que eu já diga ou que demonstre, há sempre algo que deve ficar em silêncio. Será que eu consigo me calar o suficiente? Eu sei que falo demais e que até me esqueço, em meio a conversa, do que quero dizer, mas quero que me diga quando eu falar demais e quando for a hora d e parar. Quero a embriaguez, mas não a entorpecência. Dias há em que as palavras caem em mim como a chuva que escorre lá fora. Tomam-me e me inundam com sua vontade, que é própria. Sinto-me como um recipiente preste a transbordar. Assim, deixo que as palavras me tomem e para não perder uma gota sequer, me ponho a escrever. Escrevo em desabalada... Com alguma lógica e muita insanidade. E a cada palavra que dou forma, outras no pensamento se entortam, e assim vivo nesse ato constante de esvaziar-me e encher-me a cada instante... Assim está sendo esse texto... Cheio de palavras que saltam da minha mente e do meu peito para a tela em branco... Patrícia Gomes Imagem:Jeffrey Coolidge :::Desabafado
às 10:44 por Anna Karenina (Patuska).
Sexta-feira, Maio 18, 2007
IMACULADO Paixão Que arrepia A pele no Mais louco Tesão Carícias que Soltas desnudam Os sentimentos Que bailam em Noites de lua Gritando Desejos O corpo Em crescente Queda Se lança, nu Aos braços Ilusórios Da carne que Arde A noite Transpira Profusamente Por sobre os Corpos que Despudoradamente Se rendem em Vontades Delírio rouco De olhos que Se fecham Num grito Surdo Num beijo Forte Freme o corpo Suado em Gozo... Patrícia Gomes Imagem: Sweetchared :::Desabafado
às 14:48 por Anna Karenina (Patuska).
Quinta-feira, Maio 17, 2007
ROMANCE (O final, ao menos por enquanto...) 5. A noite está fria e não tenho vontade de outra coisa a não ser de me deitar e sentir o calor a me envolver. Porque não o faço? Claro, é uma pergunta totalmente típica... Mas eu o fiz, no entanto continuo enregelada... Não há calor capaz de me aquecer nesse momento, onde tudo se confunde com a uma vontade de nem sei o que. O telefone toca, paro de ficar parada e, num movimento lacônico, estendo a mão e o atendo. Era você, me convidando para ir ver um filme com você. Persona, do Bergman... Minha garganta travou e, num sussurro inaudito, me esquivei alegando uma dor no peito, que ao final de contas não é mentira. Até que ponto vou conseguir manter-me próxima a você e esconder esse sentimento que trago no peito e que a cada dia quer gritar? Como poderia lhe falar, se deixa tão claro o quão menina me acha? Fico a imaginar se um dia recebesse essas sandices. Só sei que agora me sinto como a enfermeira Alma, do filme Persona. Ah sim, a ¿pequena¿ já viu o filme, senhor! E como a Alma, deixo agora a minha alma exposta, mas você, em seu mutismo e sorrisos, deve vê-la como algo banal. Hoje eu só queria poder te dizer que não o quero mais ver... Mas eu o quero! Patrícia Gomes Imagem: Modifidous :::Desabafado
às 08:58 por Anna Karenina (Patuska).
Terça-feira, Maio 15, 2007
ROMANCE 4. Nesta manhã fiquei a pensar em sua companhia, pequena. Naquele passeio à beira-mar, na sua alegria diante do livro de ¿fotografias ilustrados com poemas¿... É, lembro-me bem do que você disse e fez toda diferença no momento em que soube que esse livro deveria ser seu. Nada me dá mais prazer, nessa minha limitação, do que mergulhar em seus olhos quando estes espargem sorrisos luminosos de pura alegria. Eles acolhem com tamanha presteza os amanheceres úmidos de um doce orvalho, os pores-do-sol com o rubro desenhando o céu, até mesmo a névoa densa que se esparrama pela sua face quente em dias de sonhos que se desfiam em azares. Não, não conheço essas cores que a pintam em dias assim, tão sem cores, não sei do sabor que suas lágrimas me trariam. Mas a simples conjectura de um traço despreparado riscar sua face me deixa trêmulo, criança. Ah, não se chateie quando a chamo de criança. Não o faço na intenção de realçar nossa diferença de idade, o que me faz sim pensar em um controle que, também, acredito idiota, mas, por insanamente querer-te tanto, caio na armadilha da dubiedade. Fecho a janela com uma força estranha, algo que vem forte, e me faz sangrar de uma forma que desconheço, mas que, de novo a armadilha, me faz sentir vivo. Quero você, pequena, tanto e de tanto querê-la fujo, porque como dizer a você, sem assustá-la, desse sentimento, que, de tão novo, me assusta e me deixa sem saber mais como navegar... Patrícia Gomes Imagem: Modifidous :::Desabafado
às 16:45 por Anna Karenina (Patuska).
Quarta-feira, Maio 09, 2007
ROMANCE 3. E agora, enquanto todos cochilam, como se muita gente houvesse povoando a casa extensa, eu acabei pegando o livro que me deste e fiquei a folhear sem pressa, beliscando as palavras que vão nascendo diante dos meus olhos. Sorrisos nascem junto a elas, melhor dizendo, as antecipam muitas vezes. A cada fotografia que vejo, crio mundos, situações e acabo, mesmo que inconsciente, te colocando em cada uma delas. O casal que se enlaça num passo intricado de um belo balé se transfigura em nós, num arrojado e sensual tango. Aquele que nunca dançamos, nem mesmo do vinho chegamos a provar. Olho agora aquela foto de mar que vimos juntos... Águas que se cruzam numa eternidade sem fim, num silêncio intricado enquanto as palavras do poema acariciam a espuma das ondas que vejo. Algum dia fará sentido parar e ver tudo a volta? Essas palavras que lhe escrevo, farão sentido em algum tipo de contexto? Será que esse mesmo mar, que um dia vimos juntos, acalentará outros pedidos? Saberia fazê-lo? A casa começa a despertar dos cochilos, e eu vou ficando a pestanejar sonhos que querem madrugar e dizer-lhe da minha saudade em clave... Patrícia Gomes Imagem: Modifidous :::Desabafado
às 00:18 por Anna Karenina (Patuska).
Segunda-feira, Maio 07, 2007
ROMANCE 2. Não me quero, minha querida, o que sou: exilado desde sempre de você. Sinto-te cada vez mais perto, sinto teu cheiro, teu gosto quase me adentra quando percebo a textura de sua pele macia de encontro ao meu tato... Tenho fome de você! Tanta que tento te sentir em plenitude, também, quando não estás aqui. Ontem teu olhar me atravessou como flechas certeiras e eu mal consegui exercer o controle, que sei que devo ter, e a tomei em meus braços. Teus olhos me cegavam com uma luz que inundava a noite de muitas emoções. Teus olhos, pequena... Ah, Dizem tanto e tão claro para quem se coloca atento. Tua boca, pequena e rosada, não diz tanto quanto teus olhos de um verde vivo. Parece que a esperança aportou neles e nunca mais a deixou. E eu aqui, em minha vontade de devorá-la! Fico a procurar, em teus olhos, os teus sonhos, seus desejos e receios. Tua gargalhada tem um som que é quase sobrenatural. Não por parecer gutural, não! Mas por ter um doce que escorre pela pele, que cresce com sorrisos e deixa tudo com a textura de mel puro. Tua face tão clara expõe divinamente teu caráter. Como isso poderia ser possível? Pequena, basta olhar pra você e saber: sua ternura expande o que meu corpo tenta, em desvelo real, segurar, pois meu corpo não é páreo para tua alma... Patrícia Gomes Imagem: Modifidous :::Desabafado
às 09:35 por Anna Karenina (Patuska).
Sexta-feira, Maio 04, 2007
ROMANCE 1. Naquele dia tudo de mais estranho pode acontecer, mas nem de longe podia denunciar o que seria aquele segundo encontro contigo... Palavras ficaram suspensas no ar que se fazia, por vezes, pesado diante de cuidados desmedidos para que nada ultrapassasse os limites do controle imposto. É, eu falei isso a você, mas o que esqueci de dizer foi que também me controlava e, ao lhe falar sobre isso agora, só ouço os passos da redundância deixando seu rastro. É incrível como o carinho encontra fendas para escorrer, assim como a água, quando se vê encurralada. Por mais que a razão nos pode, por quaisquer razões, a emoção aflora sem pedir licença e, não raras às vezes, nos toma feito avalanche. Engraçado sentir essa sensação de avalanche sem nunca ter visto uma... Mas foi assim o nosso segundo encontro: uma avalanche de sentimentos e palavras que se sucediam e, de nada adiantou as rédeas de qualquer controle, pois vazou naturalmente. Nossos olhos giravam numa mesma órbita e as mãos, que transpiravam profusamente, mal cabiam no espaço a elas reservado. O corpo todo falava aos gritos, mesmo quando se tornava inquietantemente ereto, estático. Você se colocava distante e, ao mesmo tempo, em franca aproximação. Eu, em nenhum momento, o quis longe, mas ao mesmo tempo temia lhe magoar com qualquer som que pudesse desfazer a mágica, pois, para mim, tudo, desde o início, quando lia Garcia Márquez, se mostrou como um espetáculo de magia pura. Seria você uma espécie de mago? Porque não há outra explicação pra definir como conseguiu me desvendar e se integrar a mim, assim, permanentemente. Patrícia Gomes Imagem: Modifidous :::Desabafado
às 09:39 por Anna Karenina (Patuska).
Terça-feira, Maio 01, 2007 OBSERVANDO[-ME] Na farta espera em Silenciosa sala, vejo a [Minha] Íris rodopiar Pelo presente movimento Do alheio que folheia ao Meu lado. Boca crispada e olhar que Dança, quase cego, pelas Palavras [tantas] impressas no Branco que mira. O silêncio, a cada segundo, fala Mais alto e, seco, o movimento Dos olhos choram a dor Da loucura que não se conheceu Do saber-se e, no entanto, não Querer ser o que se acha que é... Patrícia Gomes Imagem: Tsheva :::Desabafado
às 14:09 por Anna Karenina (Patuska).
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